Escrava de influencer chinês trabalhava 15h por dia e vivia de “troco”

13 de Dezembro 2025 - 07h37
Créditos: Carla Sena/Arte Metrópoles

Condenado em primeira instância pelo Tribunal Regional do Trabalho de Campinas (SP), o influencer de medicina chinesa Peter Liu, que soma mais de 3 milhões de seguidores no YouTube e quase 1 milhão no Instagram, manteve por cerca de 30 anos uma mulher em situação análoga à escravidão dentro de sua casa. A vítima foi cooptada em Pernambuco, trabalhava até 15 horas por dia e não recebia salário, vivendo apenas de trocados das compras da família.

Segundo o processo, a mulher, hoje com 59 anos, trabalhava das 7h às 22h e só podia se alimentar ao fim do expediente. Em alguns períodos, dormia na maca do consultório de medicina chinesa que funcionava na residência; em outros, em um depósito. Relatos indicam que ela chegou a ser picada por um animal peçonhento sem receber atendimento médico. Além dos serviços domésticos, atuava na clínica como auxiliar e secretária, após receber instruções básicas das terapias orientais.

Peter Liu afirmou que a mulher era funcionária de sua ex-esposa e disse não ter contato com ela há mais de 20 anos. No entanto, fotos anexadas ao processo mostram Peter, familiares e a vítima juntos em 2018. Peter, os filhos Davi e Anni e a ex-esposa Jane foram condenados por reduzir alguém à condição análoga à escravidão.

A defesa recorre da decisão, alegando inexistência de vínculo trabalhista. Anni tenta ser retirada do processo, afirmando que tomou medidas para ajudar a vítima ao compreender sua situação. A família foi condenada a pagar R$ 400 mil de indenização, valor considerado baixo pela defesa da ex-empregada.