Créditos: Carlos Moura
O avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho e visa extinguir a escala 6×1 perdeu tração no Congresso Nacional nas últimas semanas.
A pauta, considerada prioritária pela base governista e por setores de esquerda, colidiu com o esvaziamento das atividades presenciais no Parlamento, motivado por um período de recesso informal devido às festividades regionais de São João e articulações políticas antecipadas nos Estados.
O esfriamento da matéria no Senado Federal consolidou-se após o cancelamento de reuniões cruciais de lideranças que definiriam o cronograma de votação.
Sem justificativa oficial ou nova data agendada pela presidência da Casa, a discussão foi adiada.
O movimento ocorre logo após o Palácio do Planalto recuar na estratégia de pressionar o Legislativo, tendo retirado a urgência constitucional do Projeto de Lei (PL) 1.838/2026, que regulamentava o tema e trancava a pauta da Câmara dos Deputados.
Nos bastidores da ala conservadora e de oposição, a paralisação da PEC é vista como um reflexo natural das graves ressalvas econômicas que o texto carrega.
Parlamentares alinhados à direita e representantes dos setores produtivos alertam de forma consistente para os riscos inflacionários e de desemprego que uma mudança abrupta na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) pode gerar.
O argumento central foca no impacto direto sobre microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e pequenas empresas dos ramos de comércio, serviços e hotelaria, que operam com margens estreitas e enfrentariam severas dificuldades para arcar com os custos de contratação e manutenção de escala sem redução salarial.
O clima de pré-campanha para o pleito de 2026 também dita o ritmo dos trabalhos no formato semipresencial adotado pelo Senado.
Como 54 das 81 cadeiras da Casa Alta estarão em disputa nas próximas eleições, senadores admitem reservadamente que matérias de alta complexidade econômica e apelo popular necessitam de debates mais profundos, inviáveis em plenários esvaziados.
Enquanto a pauta econômica governista trava, o foco de lideranças de oposição e do centro se desloca para temas voltados à responsabilidade fiscal e à autonomia institucional, como a PEC que amplia as prerrogativas do Banco Central.
Diário do Poder

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