Ex-publicitária do PT atuou com Careca do INSS em negócio de cannabis

01 de Dezembro 2025 - 14h33
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A publicitária Danielle Miranda Fonteles, delatora de supostos esquemas do PT na Lava Jato e responsável pela campanha de Dilma Rousseff em 2010, atuou como representante do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em Portugal. Mensagens obtidas pelo Metrópoles mostram que ela coordenou negócios de cannabis do lobista no país. Em um grupo de WhatsApp criado por Danielle em 17 de outubro de 2024, ela discutia a avaliação do Projeto Cannabis em Aveiro (Sync Nature), avaliado em 3 milhões de euros. O grupo incluía a cunhada e a sobrinha do lobista.

Dados do Coaf apontam que Danielle recebeu R$ 5 milhões do Careca do INSS entre novembro de 2023 e março de 2025, valor inicialmente revelado pela Veja. Ela afirmou que o montante refere-se à venda de uma casa em Trancoso (BA), negócio que não foi concluído, mas disse que os valores foram declarados e os impostos pagos. Na ocasião, não mencionou sua atuação em Portugal e bloqueou a coluna quando procurada.

Em ação de danos morais, Danielle explicou que sua relação com o lobista é profissional e anterior à negociação do imóvel, afirmando que representa uma empresa dele em Portugal. Careca do INSS, envolvido na Farra do INSS, criou em 2023 a empresa World Cannabis, com sedes no Brasil, Colômbia, EUA e Portugal. No início deste ano, abriu em Porto a Candango Consulting, com capital de 50 mil euros; ele detém 80% das cotas, e o filho Romeu, 20%.

Documentos obtidos via LAI mostram que o Careca visitou o Ministério da Saúde cinco vezes. Em 2024, foi três vezes como diretor de uma empresa de telemedicina, uma delas ao lado da empresária Roberta Luchsinger, amiga da família Lula. Em 2025, retornou duas vezes como presidente da World Cannabis. As visitas tiveram como destino a secretaria executiva do ministério, então comandada por Swedenberger Barbosa, hoje chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna da Presidência. Apenas uma das visitas aparece na agenda oficial. Berger afirmou lembrar-se de apenas uma reunião, cujo tema foi o mercado de cannabis.