Ex-publicitária do PT é investigada por agir como braço do esquema de fraudes do INSS

20 de Dezembro 2025 - 12h03
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A publicitária Danielle Miranda Fonteles, ex-dona da agência Pepper Comunicação Interativa e conhecida por sua atuação em campanhas do Partido dos Trabalhadores (PT), tornou-se um dos principais alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (18) pela Polícia Federal. As investigações apontam que ela atuava como representante e parceira internacional de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, operador apontado como líder de um esquema bilionário de fraudes em aposentadorias.

Por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a publicitária foi submetida a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. A PF atribui à Danielle um “papel sofisticado dentro da engrenagem de lavagem de capitais”, com atuação em diferentes frentes do esquema criminoso.

Segundo os investigadores, a participação da ex-marqueteira não se limitava a movimentações financeiras pontuais, mas envolvia operações empresariais, imobiliárias e internacionais, conectando o núcleo brasileiro do esquema a estruturas no exterior.

A Polícia Federal confirmou que Danielle Fonteles atuou como representante de Antunes em Portugal, onde esteve à frente de negócios ligados ao lobista, incluindo investimentos no setor de cannabis. Mensagens obtidas pela investigação mostram que ela conduzia negociações, gerenciava recursos e intermediava interesses do “Careca do INSS” no país europeu.

De acordo com a PF, Danielle movimentou recursos do operador no exterior e foi beneficiada com repasses superiores a R$ 13 milhões. Os investigadores afirmam que o próprio Antunes se referia à publicitária como “sócia Portugal”, enquanto os valores eram recebidos por meio de uma empresa controlada por ela no país europeu.

Em decisão que autorizou as medidas cautelares, o ministro André Mendonça citou mensagens interceptadas que reforçam o vínculo operacional entre os dois. Em uma conversa de 11 de setembro de 2024, Danielle afirma ainda não ter recebido o pagamento referente ao mês anterior e questiona se Antunes ou seu filho, Romeu, levariam os valores pessoalmente a Portugal durante uma viagem.

“A PF demonstra que DANIELLE recebe mensalmente valores enviados por ANTÔNIO e atua como intermediária em aquisições internacionais de ativos”, destacou o ministro na decisão.

Os investigadores apontam que a atuação transnacional da publicitária conectava “o núcleo brasileiro às estruturas europeias utilizadas pelo grupo, em especial em Portugal e Alemanha”. Segundo a PF, era Danielle quem formulava propostas para aquisição de imóveis em nome do grupo criminoso, além de cuidar de projetos e investimentos fora do país.

Justificando as movimentações financeiras, a defesa de Danielle alegou nos autos do processo que os valores recebidos de Antunes se referem à negociação de um imóvel em Trancoso, no sul da Bahia, avaliado em aproximadamente R$ 13 milhões. O pagamento, segundo os advogados, seria feito em 13 parcelas de R$ 1 milhão cada.

A transação, no entanto, não foi concluída. Ainda assim, a defesa sustenta que os valores teriam sido declarados à Receita Federal, com recolhimento dos tributos correspondentes, e que o negócio imobiliário seria a explicação legítima para os repasses.

A Polícia Federal, porém, vê indícios de que a suposta venda do imóvel foi usada para ocultar a real natureza da relação entre Danielle e Antunes.

“Há indícios de que, da mesma forma que a emissão de notas fiscais tem sido utilizada para simular legalidade nas operações financeiras vinculadas ao esquema de fraudes previdenciárias, a suposta venda do imóvel teve por objetivo ocultar a real natureza da relação entre ANTONIO e DANIELLE, que ultrapassa os limites de uma mera transação comercial”, afirmou a PF na representação enviada ao STF.

De marqueteira do PT a investigada em esquemas de corrupção

Antes de voltar ao centro das investigações, Danielle Fonteles ganhou notoriedade nacional como marqueteira do PT e integrante da equipe de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, em 2010. Fundadora da Pepper Comunicação Interativa, ela coordenou estratégias digitais e ações de defesa da imagem do partido nas redes sociais.

Com informações de Gazeta do Povo