Famílias das vítimas do incêndio no CT do Flamengo chamam absolvição de ‘grave afronta’ e prometem seguir em busca de justiça

22 de Outubro 2025 - 15h00

A Associação dos Familiares das Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu (Afavinu) protestou contra a decisão da Justiça do Rio que absolveu os sete réus restantes do processo criminal sobre o incêndio no CT do Flamengo, que matou dez jovens atletas em fevereiro de 2019.

Em nota, a entidade classificou a sentença como uma “grave afronta à memória das vítimas e ao sentimento da sociedade”. A decisão, do juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ª Vara Criminal do Rio, alegou “ausência de demonstração de culpa penalmente relevante” e “impossibilidade de estabelecer nexo causal seguro entre as condutas individuais e a ignição”.

A Afavinu afirmou que a Justiça “falhou em seu papel pedagógico” e que a absolvição reforça “o sentimento de impunidade”. Os familiares prometeram recorrer e seguir “em busca de Justiça”, cobrando rigor no acompanhamento do caso.

Com essa decisão, todos os 11 denunciados foram absolvidos ou tiveram o processo arquivado. O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, teve a punibilidade extinta em 2021, por prescrição.

O Ministério Público havia pedido a condenação dos acusados por incêndio culposo qualificado com resultado de morte e lesão corporal grave.

Na nota, a associação cobrou medidas concretas do poder público e clubes para garantir segurança em alojamentos esportivos, e pediu que a sociedade não permita que a decisão se torne um precedente de negligência.
“A memória dos nossos filhos não será silenciada”, finalizou a entidade.