Não, a Globo não está quebrando. No meio deste ano a empresa possuía em seu caixa mais de R$ 12,5 bilhões. Sim, existe uma dívida bilionária em dólar. O montante é de pouco mais de US$ 1 bilhão. É um valor alto, mas o caixa ainda é 2,5 vezes superior à dívida. Essa dívida também é protegida por operações atreladas ao dólar (hedges), que protegem a empresa de grandes movimentações do dólar.

Além disso, a Globo prevê fechar o ano com faturamento entre 17% e 19% acima de 2020 e registrar lucro. Nos primeiros nove meses de 2021, a receita da Globo cresceu 18% em relação ao mesmo período do ano passado e atingiu R$ 10,8 bilhões.

Mas se os números e resultados são positivos, o que explica os sucessivos cortes e a crescente venda de propriedades da Globo?

Venda da Som Livre, data center, torres e até a sede

Somente no primeiro semestre de 2021, a Globo cortou R$ 281 milhões em salários. O movimento seguiu na segunda metade do ano, com sucessivas saídas de nomes notórios como Cissa Guimarães, Lázaro Ramos e altos salários em geral, particularmente no jornalismo.

Além do corte de salários, houve ainda uma aceleração na venda de negócios e propriedades da Globo.

Em abril, a Globo vendeu a Som Livre para a Sony por R$ 1,4 bilhão. Em outubro, foi a vez do data center ser negociado com a holding Piemonte, por valor estimado de R$ 300 milhões. Ainda houve a venda de 17 torres de TV e 16 imóveis para o grupo IHS Towers, da Nigéria, no início de dezembro, por cerca de R$ 200 milhões, como noticiado pelo colunista Gabriel Vaquer.

Finalmente, dias atrás, a emissora carioca vendeu para a Vinci Real Estate todo o seu complexo de imóveis onde funciona a sede da emissora em São Paulo, em um negócio de mais de R$ 522 milhões. O acordo é de lease back. A Globo receberá o dinheiro da venda agora, mas permanecerá como inquilina do imóvel.

A Globo também fez em julho o spin-off de sua área de games, criando a Player1 Gaming Group . Game é um negócio promissor, mas que nunca vingou para valer na emissora.

Por que a Som Livre foi vendida

Imaginar que as vendas realizadas pela Globo são motivadas somente pelo corte de custos é simplista.

Ao vender a Som Livre, a Globo saiu de um negócio em que não era líder e nem tinha chances de liderar. A gravadora tinha boas margens e estava bem posicionada em um mercado que cresceu dois dígitos nos últimos anos. Ela também possuía grandes nomes da música no catálogo. A decisão de vender não teve relação com a performance da empresa, mas com o foco na estratégia D2C, da qual uma gravadora de música comercial e de desenvolvimento de talentos artísticos deixou de fazer parte.

A nova dona da Som Livre, a Sony, é uma das três maiores gravadoras do mundo. A venda de músicas para o TikTok, Instagram e streamings como o Spotify disparou nos últimos anos e revitalizou o mercado musical. Mas a Globo, por ser pequena em uma escala global no mundo da música, não conseguiria negociações tão boas quanto a Sony com as redes sociais e streamings.

Fonte: Uol