Governo Lula pede intervenção da ONU e diz que restrições de visto dos EUA a Padilha são ‘absurdas’

19 de Setembro 2025 - 16h11
Créditos: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta sexta-feira (19) que o Brasil acionou a ONU contra as restrições de circulação impostas pelos Estados Unidos ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante viagem a Nova York.

O governo Donald Trump determinou que Padilha só pode transitar entre o hotel, a sede da ONU, a Missão Permanente do Brasil e arredores de até cinco quarteirões. As limitações impedem que ele vá a Washington para reunião da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Vieira disse que o Brasil já relatou o caso ao secretário-geral António Guterres e à presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, pedindo “interferência direta”. Segundo o chanceler, as medidas são “injustas e absurdas”.

As restrições são semelhantes às aplicadas a chanceleres iranianos em anos anteriores. O acordo de 1947 que garante a instalação da ONU em Nova York prevê concessão de vistos e acesso ao organismo, mas não liberdade irrestrita de deslocamento em território americano.

Diplomatas brasileiros e europeus criticaram a decisão, vista como provocação de Trump. No Itamaraty, há avaliação de que o caso tem motivação ideológica e pode ser levado a arbitragem na ONU.