Governo Lula prevê saída de ao menos 20 ministros para disputar eleições

26 de Dezembro 2025 - 18h14
Créditos: Ricardo Stuckert

Com a proximidade das eleições de 2026, o governo federal deve passar por uma ampla reformulação ministerial. Pelo menos 20 dos 38 ministros precisarão deixar os cargos até abril do próximo ano para cumprir a legislação eleitoral, segundo apuração do Valor Econômico. A expectativa no Palácio do Planalto é que as mudanças resultem em uma equipe mais técnica, embora isso traga desafios para a articulação política no Congresso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende iniciar, no começo de 2026, reuniões individuais com ministros que desejam disputar cargos eletivos. As substituições devem ocorrer de forma escalonada, com muitos secretários-executivos assumindo as pastas até o fim do mandato.

Entre os movimentos previstos, ao menos oito ministros devem concorrer ao Senado, considerado estratégico pelo governo por sua influência em pautas como indicações para agências reguladoras e processos envolvendo ministros do STF. Outros cinco ministros planejam disputar vagas na Câmara dos Deputados, entre eles Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), cuja saída pode impactar diretamente a relação do governo com o Legislativo.

Dois ministros avaliam disputar governos estaduais: Márcio França (Empreendedorismo), em São Paulo, e Renan Filho (Transportes), em Alagoas. Já o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, deve deixar o cargo para atuar diretamente na campanha de Lula.

Na área econômica, Fernando Haddad (Fazenda) cogita sair para integrar a coordenação da campanha à reeleição e é citado como possível candidato ao Senado ou ao governo paulista. Caso isso ocorra, a Junta de Execução Orçamentária também passará por mudanças, com trocas previstas em três dos quatro ministérios que a compõem.

Rui Costa (Casa Civil) deve se afastar para disputar o Senado pela Bahia. Simone Tebet (Planejamento) avalia mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo e concorrer ao Senado, possibilidade ainda em negociação com o presidente.

Outros ministros, como Marina Silva (Meio Ambiente) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), também avaliam cenários eleitorais. As discussões sobre a reorganização do governo já ocorrem desde o primeiro semestre, antecipando os acordos políticos necessários para o período eleitoral de 2026.