
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o mercado financeiro está "chateado" porque o governo Lula (PT) deu certo. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, publicada neste domingo (30), Haddad disse que o mercado foi "excessivamente pessimista" desde a eleição de Lula em 2022 e que alguns gestores de ativos que apostaram contra o governo "perderam dinheiro".
O ministro ressaltou que tem sido rígido com os gastos públicos, mencionando o corte de R$ 35 bilhões no Orçamento de 2024. No entanto, o Financial Times destacou projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), que indicam que a dívida bruta do Brasil pode subir de 87,6% do PIB em 2023 para 97,6% em 2029. Questionado sobre o controle do déficit fiscal, Haddad comparou sua função à de um piloto de Fórmula 1 no meio de uma corrida: “Acho que temos uma boa equipe, um bom carro e, quem sabe, até um bom piloto.”
Haddad também defendeu que o Brasil ocupa uma posição estratégica na economia global como um dos principais exportadores de commodities. Ele elogiou as parcerias com China e Estados Unidos e destacou a proximidade com a União Europeia (UE) por meio do Mercosul. O acordo entre os blocos, assinado em dezembro de 2024 após mais de 20 anos de negociações, ainda aguarda ratificação pelos Parlamentos dos países-membros.
Sobre a guerra comercial entre China e EUA, Haddad descartou a possibilidade de o Brasil escolher um lado, enfatizando que o país mantém relações sólidas com ambos. Ele também destacou a crescente importância da indústria brasileira de processamento de alimentos, afirmando que "o Brasil não é mais apenas o celeiro do mundo, mas está se tornando uma espécie de supermercado global".