Créditos: Samuel Reis/Metrópoles
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira (1º) que pretende se reunir na próxima semana com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para discutir as tarifas de 50% impostas por Washington a parte das exportações brasileiras. Segundo ele, o encontro pode abrir caminho para um diálogo direto entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump.
“Ainda não há data definida, mas essa reunião é essencial para esclarecer os impactos da medida e retomar os canais de negociação”, afirmou Haddad. O governo brasileiro considera a decisão unilateral e pretende apresentar argumentos técnicos sobre os impactos econômicos e legais.
Trump disse que Lula pode ligar “quando quiser” para tratar do tema. Questionado sobre isso, Haddad respondeu: “Acho ótimo. A recíproca também é verdadeira.”
A sobretaxa, imposta no fim de julho, foi justificada por Trump como resposta a ações “incomuns” do governo brasileiro, consideradas ameaça à segurança dos EUA. Cerca de 44,6% das exportações foram poupadas, incluindo petróleo, celulose, suco de laranja, minério de ferro e aviões.
A agenda também pode incluir as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. Haddad quer esclarecer o funcionamento do sistema judiciário brasileiro e rebateu o que chamou de “desinformação”. Lula se manifestou nas redes sociais, reafirmando o compromisso com o diálogo e a soberania nacional: “Quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições”.
O governo avalia ainda ações para mitigar impactos da tarifa. No Ceará, o governador Elmano de Freitas e Haddad discutiram a compra de alimentos afetados — como peixes e frutas — por estados e prefeituras, para programas sociais.
Não há previsão de um encontro entre Lula e Trump, o que dependerá dos desdobramentos da conversa com o Tesouro americano.

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