As redes sociais costumam ser um lugar para relaxar, conversar com amigos e familiares ou se divertir de forma descompromissada. E é justamente por esse caráter mais livre que as pessoas costumam escrever com abreviaturas, usar emojis, empregar gírias, pegar memes emprestados e escrever errado de forma proposital (ou não).  Agora, imagine se o seu erro de português rendesse um processo de R$ 990 mil?

Foi justamente isso que ocorreu com um australiano ao usar o Facebook: ele foi condenado a pagar US$ 180 mil após ser derrotado em uma ação judicial decorrente de uma falha gramatical. Anthony Zadravic é um corretor de imóveis em New South Wales, cidade da Austrália, que foi processado após deixar de adicionar um apóstrofo em uma postagem crítica ao seu antigo local de trabalho.

Segundo o jornal New York Times, Zadravic acusou a empresa e o seu dono de não pagarem o fundo de aposentadoria aos “funcionários”. Ele teria mencionado o fato de o proprietário ter vendido casas avaliadas em milhões de dólares, mas não ter usado o dinheiro para quitar as dívidas com ele, algo que o ex-empregado aguarda há dois anos.

O problema todo na fala foi a ausência do uso do apóstrofo na palavra inglesa employees (funcionários, em português): sem o recurso ortográfico, a frase do corretor de imóveis ganhou o sentido de que a empresa não havia pagado as dívidas de várias pessoas e não somente a dele. O apóstrofo na língua inglesa dá ideia de pertencimento, de posse, mas a sua ausência antes da letra S faz com que a palavra seja um mero plural comum.

O apóstrofo milionário 

O comentário foi apagado em menos de 12 horas, mas já era tarde demais. O ex-chefe tomou conhecimento da mensagem e entrou com uma ação de difamação contra Zadravic, que justificou em juízo a clara intenção de adicionar o recurso visual na frase, embora não o tenha feito. A juíza disse que a falta de pontuação dava a entender um padrão de conduta sistêmico da empresa, o que não seria o caso: “Deixar de pagar o direito à aposentadoria de um funcionário é visto como lamentável; deixar de pagar alguns ou todos eles parece deliberado”, declarou a magistrada Judith Gibson na sentença obtida pelo NYT.

A falha gramatical custou absurdos US$ 180 mil (cerca de R$ 990 mil), um valor elevado para a maioria das pessoas, mas considerado normal na Austrália, cuja legislação antidifamatória é uma das mais rígidas do mundo. O caso do apóstrofo não foi a primeira ocorrência legal desse tipo: em 2018, uma falta de vírgula foi suficiente para os tribunais darem decisões favoráveis a um grupo de motoristas de caminhão, em uma sentença avaliada em US$ 5 milhões (ou R$ 27,5 milhões em valores atuais).

A partir de agora, tome mais cuidado com os posts que faz nas redes sociais, especialmente se for para criticar uma pessoa ou uma empresa; afinal, nunca se sabe se uma vírgula ou um erro digitação vai se transformar um prejuízo milionário, não é?

Fonte: New York Times