Império dos cogumelos: Polícia destrói esquema milionário de drogas psicodélicas

04 de Setembro 2025 - 11h56
Créditos: Reprodução Metrópoles

 

A Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), deflagrou, na manhã desta quinta-feira (4) a Operação Psicose, com o objetivo de desmantelar uma das mais sofisticadas organizações criminosas do país, especializada na produção e distribuição de cogumelos alucinógenos contendo psilocibina.

Segundo as investigações, o esquema ilegal movimentava cifras milionárias e chegava a render até R$ 200 mil por dia, operando em escala nacional em uma forte conexão entre o DF, Paraná e Santa Catarina.

As apurações começaram a partir do monitoramento de redes sociais, websites e grupos de WhatsApp que ofertavam os chamados “cogumelos mágicos”. O ponto inicial foi a identificação de uma empresa registrada no Distrito Federal que utilizava perfis no Instagram para atrair consumidores.

Os interessados eram direcionados para uma plataforma de vendas on-line altamente profissionalizada que oferecia catálogo de produtos, fotos em alta resolução, descrições detalhadas, além de métodos de pagamento como cartão de crédito, transferências bancárias e Pix.

Os clientes podiam escolher cogumelos de diferentes espécies, “potências” e formas de preparo. As entregas eram feitas em embalagens discretas, enviadas pelos Correios e transportadoras privadas, no modelo dropshipping, dificultando o rastreamento.

Os policiais foram às ruas nas primeiras horas desta manhã para cumprir 20 mandados de busca e apreensão em Curitiba (PR), Joinville (SC), São Paulo (SP), Belém (PA), Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES), além do DF. Os agentes também cumprem nove prisões preventivas contra os principais líderes e operadores da organização criminosa.

Estrutura sofisticada
O sistema nervoso da rede criminosa ficava baseado no DF, em Santa Catarina e no Paraná, onde havia empresas de fachada registradas com atividades lícitas, como o comércio de alimentos, mas que serviam para ocultar o tráfico e a lavagem de dinheiro.

No Paraná, o esquema abrigava a maior estrutura de produção, com galpões empresariais, cultivo em larga escala e centenas de quilos de psilocibina fabricados para abastecer o mercado nacional. Em apenas um dos endereços foi encontrado um galpão com diversos colaboradores envolvidos no cultivo e preparo da droga, em uma operação de caráter quase industrial.

No total, foram identificadas 3.718 remessas pelos Correios, correspondendo a uma tonelada e meia de drogas já distribuídas pelo grupo. Além das vendas diretas, o grupo fornecia grandes volumes de entorpecentes a outros traficantes que não tinham produção própria.

A organização investia pesado em estratégias de marketing digital, com impulsionamentos pagos em redes sociais e forte apelo visual. O grupo também contratava influenciadores digitais e DJs, patrocinava estandes em feiras e festivais de música eletrônica, e difundia informações falsas sobre supostos benefícios terapêuticos da psilocibina, em uma tentativa de normalizar e expandir o consumo entre jovens.

Com informações de Metrópoles