Inflação resiliente: por que o preço dos alimentos não baixa no Brasil

05 de Abril 2025 - 07h23
Créditos: Reprodução

Os preços dos alimentos seguem entre as principais preocupações da população e um desafio para o governo federal. Em março, o IPCA-15 – prévia da inflação oficial – desacelerou para 0,64%, mas os alimentos e bebidas subiram 1,09%, puxando o índice. Em 12 meses, a inflação dos alimentos acumula alta de 7,42%, acima da inflação geral (5,26%).

A meta de inflação para 2025 é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%, segundo o Conselho Monetário Nacional.

Fatores que pressionam os preços

Especialistas apontam fatores como fenômenos climáticos extremos (chuvas intensas e secas prolongadas), pandemia, guerra na Ucrânia, e demanda aquecida como causas da alta nos preços. O El Niño e o La Niña, por exemplo, impactaram diretamente a produção agrícola em diversas regiões do país.

Além disso, a economia brasileira vem registrando crescimento – o PIB subiu 3,4% em 2024 e o desemprego caiu para 6,8%. Com mais renda, aumenta a demanda por alimentos, pressionando os preços.

Influência do dólar e incerteza fiscal

Outro fator relevante é a alta do dólar, que fechou 2024 cotado a R$ 6,10, impulsionado por incertezas fiscais e falta de clareza sobre como o governo pretende controlar a dívida pública. Como muitos alimentos têm preços atrelados ao mercado internacional, a desvalorização do real impacta diretamente o valor final ao consumidor.

Ações do governo e efeitos limitados

Em março, o governo Lula anunciou a isenção do imposto de importação sobre alguns alimentos, como carnes, café, milho, óleo e massas. No entanto, especialistas afirmam que os efeitos ainda são limitados e a desaceleração da inflação em alguns itens já era esperada por outros motivos, como o próprio esgotamento de altas sucessivas.

Previsões para os próximos meses

Segundo o economista André Braz, a inflação dos alimentos deve desacelerar até o fim do ano, mas dificilmente os preços cairão de forma significativa. A expectativa é de alta entre 6,5% e 7% em 2025 – ainda acima da meta. A melhora só deve vir com clima mais estável e políticas que aumentem a produtividade do setor agrícola.

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