Lula diz que 'quem pratica assédio não fica no governo', mas pede apuração

06 de Setembro 2024 - 16h00
Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Lula (PT) disse que quem pratica assédio "não vai ficar no governo", ao comentar o caso do ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, após acusações de assédio sexual contra ele.

O ministro é alvo de acusações de assédio sexual, incluindo uma suposta denúncia por importunação sexual pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Em nota, a ONG Me Too Brasil tornou pública as acusações, feitas de forma anônima, após reportagem do Metrópoles de ontem (5).

Lula indicou que Almeida não deverá ficar. "Estou numa briga danada contra a violência contra as mulheres", justificou, em entrevista à Rádio Difusora, de Goiânia.

"Eu não posso permitir que tenha assédio. Nós vamos apurar corretamente, mas acho que não é possível a continuidade [de Almeida] no governo, porque o governo não vai fazer jus ao seu discurso, à defesa das mulheres, à defesa inclusive dos direitos humanos de alguém que seja acusado de assédio", Lula, sobre Silvio Almeida.

O destino do ministro será decidido nesta tarde, quando o presidente chegar a Brasília. Primeiro, Lula se reúne com o CGU (Controlador-Geral da União), Vinicius Carvalho, com o AGU (advogado-geral da União), Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Depois, irá falar com Anielle e Almeida.

O presidente só ponderou que o caso tem de ser apurado. "Eu só tenho que ter o bom senso: é preciso que a gente permita o direito à defesa. A presunção de inocência de quem tem o direito de se defender", afirmou Lula. Nesta manhã, CGU, AGU, Justiça e a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, se reúnem no Planalto a pedido do presidente.

Lula disse que ficou sabendo das denúncias ontem. De acordo com a colunista Mônica Bergamo, alguns ministros teriam conhecimento do suposto assédio sexual. Em nota, o Planalto chamou o caso de "grave" e disse que a apuração será "célere".

Silvio nega as acusações. Em nota, ele já havia divulgado que pediria investigação do caso. "Encaminharei ofícios para Controladoria-Geral da União, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e Procuradoria-Geral da República para que façam uma apuração cuidadosa do caso", escreveu.

Anielle ainda não se manifestou sobre o caso. Por meio de nota, o Ministério das Mulheres pediu que as denúncias sejam investigadas com "devido crédito à palavra das vítimas".

O presidente comentou ainda a foto da primeira-dama com a ministra. Janja postou uma foto no Instagram em que aparece dando um beijo em Anielle, mas sem legenda.

"O motivo de uma foto da Janja com a Anielle é uma demonstração inequívoca de que as mulheres estão com as mulheres. E é o normal. Não há uma mulher que fique favorável a alguém que seja denunciado de assédio", Lula, sobre foto de Janja.

Com informações do UOL

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