Lupi muda versão sobre conselheira que alertou fraude no INSS, e CPI vê contradições de ex-ministro

12 de Setembro 2025 - 18h01
Créditos: Wilton Junior/Estadão

O ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, exonerado após a Operação Sem Desconto, mudou a versão apresentada ao Congresso sobre o vínculo com a conselheira Tônia Galetti, que o alertou sobre denúncias de fraudes no INSS.

Em abril, na Câmara, disse que ela era “amiga pessoal”. Já na CPI do INSS, na segunda (8), afirmou não ter “nenhuma” relação. Seu advogado, Wálber Agra, justificou que a expressão foi usada de forma coloquial.

Lupi também negou ter recebido informações da Controladoria-Geral da União sobre auditoria que apontou descontos irregulares a aposentados sem autorização. Segundo ele, os contatos foram feitos apenas com o INSS e órgãos técnicos. A diretora da CGU, porém, disse que o relatório foi enviado à assessoria especial de controle interno do ministério, setor subordinado diretamente ao ministro. A defesa alegou que Lupi não foi comunicado.

Integrantes da CPI apontam “incongruências” e avaliam chamá-lo novamente ou até promover acareação com técnicos da CGU. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o ex-ministro pode ser convidado ou convocado a retornar.

Durante a sessão, Lupi se recusou a explicar por que não pautou no Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) a discussão sobre fraudes, como havia registrado que faria. Em junho de 2023, Tônia Galetti pediu debate sobre o tema, mas o ministro adiou alegando necessidade de levantamento prévio. A promessa foi de tratar o assunto em julho, o que não ocorreu; o tema só entrou em discussão no CNPS em abril de 2024.

Em mais de dez horas de depoimento, Lupi negou responsabilidade pelas fraudes, afirmando que o INSS é autônomo e que cabe aos ex-gestores prestar esclarecimentos.

A Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF e pela CGU, estimou R$ 6,3 bilhões em cobranças irregulares entre 2019 e 2024.

Contradições

Em abril de 2025, Lupi disse à Câmara que Tônia Galetti era “amiga pessoal”; na CPI, negou relação.

Negou ter recebido relatórios da CGU; a diretora Eliane Viegas Mota afirmou que o documento foi enviado à assessoria especial de controle interno do ministério, ligada diretamente ao ministro.