A operação deflagrada nesta quarta-feira (14) contra o Banco Master apura suspeitas de um esquema de fraude que pode ter desviado até R$ 5,7 bilhões da instituição, envolvendo uma clínica médica e um hospital infantil. As informações são do UOL.
Segundo investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo, o banco direcionou recursos captados por meio de CDBs para fundos de investimento dos quais era cotista único. Esses fundos, por sua vez, adquiriram títulos emitidos por empresas com vínculos societários ou pessoais com os sócios do próprio Banco Master.
Um dos indícios apontados é a transferência de R$ 9 milhões para Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do banco. Entre os casos citados está o da Clínica Mais Médicos, que emitiu R$ 361 milhões em notas comerciais sem garantias, apesar de ter capital social zero e receita anual de apenas R$ 54 mil em 2023. A presidente da empresa, Valdenice Pantaleão, foi alvo de busca e apreensão. Para o MPF, ela atuaria como “laranja”.
A clínica é ligada ao Hospital da Criança de São José, que também emitiu R$ 372 milhões em notas adquiridas pelo banco. Outras empresas vinculadas aos sócios teriam seguido o mesmo padrão. Dos R$ 3,5 bilhões investidos pelo Master em fundos próprios, cerca de R$ 1,8 bilhão foi aplicado em empresas ligadas aos próprios controladores.
A investigação também aponta crimes de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro envolvendo as gestoras Reag, Ruby Capital e Trustee DTVM. Segundo a PGR, João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, teria usado a empresa para desviar recursos, inclusive com uso de familiares como laranjas. Parte do dinheiro teria passado pela empresa Brain Realty, que recebeu cerca de R$ 460 milhões em falsos empréstimos.
Somando as operações, o MPF pediu o bloqueio de R$ 5,7 bilhões.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele tem colaborado com as autoridades. Os advogados de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, disseram que ele está à disposição para esclarecimentos. A defesa de Nelson Tanure negou qualquer vínculo societário com o banco, e o advogado de João Mansur afirmou que ainda não teve acesso aos autos, mas se colocou à disposição da Justiça.


