Moraes chegou a ligar seis vezes para Galípolo em um dia, diz jornal

24 de Dezembro 2025 - 13h48
Créditos: Adriano Machado

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, teria feito ao menos seis ligações em um único dia ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar do andamento da operação de compra do Banco Master, segundo informações publicadas pelo Estadão. De acordo com o jornal, além das ligações, Moraes teria conversado com Galípolo em pelo menos outras quatro ocasiões, incluindo um encontro presencial. As informações foram obtidas com fontes do meio jurídico e do mercado financeiro.

A notícia de que Moraes teria procurado o presidente do BC para interceder em favor do Banco Master foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo. Na terça-feira (23), o ministro se manifestou publicamente sobre o caso pela primeira vez. Pela manhã, divulgou nota afirmando que a reunião com Galípolo teve como objetivo discutir as consequências da aplicação da Lei Magnitsky contra ele, sem mencionar o Banco Master. O Banco Central também confirmou, em nota, que houve reuniões com o ministro para tratar dos efeitos da sanção.

À noite, Moraes divulgou novo comunicado negando que tenha havido qualquer ligação telefônica entre ele e Galípolo, “para esse ou qualquer outro assunto”. Segundo o ministro, a primeira reunião ocorreu em 14 de agosto, após ele ter sido sancionado pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky, em 30 de julho. A segunda reunião teria ocorrido em 30 de setembro, depois da aplicação da mesma medida contra sua esposa, em 22 de setembro.

Moraes afirmou ainda que “em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master” e negou que o escritório de advocacia de sua esposa tenha atuado na operação junto ao Banco Central.

Em setembro, o BC vetou a compra do Banco Master pelo BRB, alegando ausência de documentos que comprovassem a viabilidade econômico-financeira da operação. Dois meses depois, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal e passou a ser investigado por fraudes contra o sistema financeiro.

O Globo revelou ainda que o escritório de advocacia da esposa de Moraes mantinha um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, prevendo pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões entre 2024 e 2027.