Créditos: Microsoft CoPilot
Se você é do time que não vive sem café, provavelmente já se perguntou se esse hábito tão gostoso pode fazer mal ao coração.
A boa notícia é que, para a maioria dos adultos, o cafezinho não precisa ser tratado como vilão.
Uma nova declaração científica da AHA (American Heart Association) revisou as evidências disponíveis sobre cafeína e saúde cardiovascular e aponta que o consumo de até 400 mg de cafeína por dia é considerado seguro para a maioria dos adultos. Na prática, isso equivale a cerca de três a cinco xícaras de café de 240 ml, dependendo do tipo de bebida e da forma como ela é preparada.
E tem mais: o consumo moderado de café aparece associado a menor risco de alguns problemas cardiovasculares, como doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, AVC e fibrilação atrial.
Mas atenção: isso não significa que quanto mais café, melhor. Muito menos que quatro ou cinco xícaras sejam uma meta para proteger o coração.
A quantidade de cafeína varia conforme o tipo de café, o preparo e o tamanho da bebida. E a resposta também muda de uma pessoa para outra: para algumas, uma quantidade menor já pode provocar palpitação, ansiedade ou atrapalhar o sono.
Então, no Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, fica a pergunta: afinal, quanto café dá para tomar sem colocar o coração em risco?
Café faz bem para o coração?
Durante muito tempo, café e coração foram colocados em lados opostos. Quem tinha palpitação ou pressão alta, por exemplo, frequentemente ouvia que deveria passar longe da bebida.
As evidências mais recentes mostram um cenário mais complexo. O documento da AHA reúne estudos sobre os possíveis efeitos da cafeína e do café em diferentes aspectos da saúde cardiovascular.
“Esse estudo é um documento elaborado pela American Heart Association que visa revisar e padronizar o conhecimento sobre os impactos da cafeína na saúde cardiovascular”, explica o cardiologista Cristiano Pisani, presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas.
Segundo o médico, o consumo moderado, especialmente na forma de café, está associado a uma série de possíveis benefícios: “Em termos de benefícios, o consumo moderado (estudado principalmente no formato de café) está associado a um menor risco de fibrilação atrial, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC).”
Vale fazer uma ressalva: associação não significa que o café, sozinho, seja responsável por prevenir essas doenças. Grande parte das pesquisas disponíveis é observacional, e outros componentes do café e hábitos de vida também podem influenciar os resultados.
Afinal, quantas xícaras de café por dia?
A declaração da AHA considera seguro, para a maioria dos adultos, o consumo de até 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a aproximadamente três a cinco xícaras de café de 240 ml.
Mas existe uma pegadinha: xícara não é uma medida precisa de cafeína. A concentração pode variar bastante conforme o grão, o tamanho da bebida e o método de preparo.
Por isso, o número não deve ser encarado como uma recomendação para chegar diariamente a quatro ou cinco cafés.
“Na prática, isso representa um consumo moderado, equivalente a até 400 mg de cafeína por dia (cerca de 3 a 5 xícaras), sendo considerado seguro para a maioria dos adultos. O risco aumenta quando associado a doses mais elevadas ou à condição clínica específica de cada paciente”, explica o doutor Pisani.
Coado, espresso, cápsula: existe diferença?
Existe e não é apenas uma questão de sabor.
O preparo interfere tanto na quantidade de cafeína quanto na presença de outras substâncias do café. Um exemplo é o cafestol, que pode aumentar o colesterol LDL e aparece em maior quantidade em cafés não filtrados, como espresso, prensa francesa, café turco e café fervido. Já o café preparado com filtro de papel e o café solúvel apresentam pouca ou nenhuma quantidade relevante da substância.
Por isso, não dá para colocar todas as formas de preparo exatamente no mesmo pacote quando o assunto é saúde cardiovascular.
E o açúcar? Pode mudar a história
Aqui entra um detalhe que muita gente esquece: o café não existe sozinho na xícara.
A declaração da AHA aponta que acrescentar açúcar, xaropes, leite ou creme pode reduzir os possíveis benefícios associados ao café puro, embora ainda sejam necessárias mais pesquisas para entender exatamente o efeito desses ingredientes.
“A adição de grandes quantidades de açúcar, xaropes aromatizados e laticínios eleva significativamente a ingestão calórica. Isso pode neutralizar (ou anular) os potenciais benefícios cardiovasculares associados ao café puro”, diz o especialista.
Quem tem pressão alta precisa cortar o café?
Não necessariamente.
A cafeína pode provocar uma elevação temporária da pressão arterial, especialmente em pessoas mais sensíveis ou após doses elevadas. A AHA destaca que doses altas, como as encontradas em energéticos, podem aumentar significativamente a pressão, principalmente em quem já tem hipertensão.
Por isso, quem tem pressão alta deve observar a própria resposta e discutir o consumo com o médico: “Pessoas com hipertensão grave podem apresentar picos de pressão, pois a cafeína tem efeito vasoconstritor.”
E quem tem arritmia?
Essa é outra situação em que a resposta não é simplesmente “corte o café”.
A evidência mais recente não sustenta a ideia de que o consumo habitual de café, dentro de quantidades normais, aumente o risco de fibrilação atrial. Ao mesmo tempo, estudos apontam que a cafeína pode aumentar a frequência de algumas contrações ventriculares prematuras, conhecidas como extrassístoles.
“Em relação às arritmias, os efeitos variam: pacientes que sofrem de extrassístoles podem ter os sintomas agravados pelo consumo; por outro lado, para a fibrilação atrial, evidências recentes mostram que o consumo regular de café tem, na verdade, um efeito protetor e reduz a sua ocorrência”, detalha o cardiologista.
A fala do especialista está alinhada com os dados mais recentes, que apontam associação entre o consumo de café e menor risco de fibrilação atrial. Ainda assim, isso não transforma a bebida em tratamento e não significa que todas as pessoas com fibrilação atrial terão a mesma resposta.
Quando o café passa do ponto?
O problema aparece principalmente quando a ingestão de cafeína sobe demais, e não é apenas o café que precisa entrar nessa conta.
Energéticos, suplementos, pré-treinos e outros produtos também podem fornecer doses elevadas do estimulante. Em quantidades altas, a cafeína pode aumentar a pressão arterial e favorecer alterações do ritmo cardíaco.
Entre os sinais de que pode ser hora de reduzir estão:
irritabilidade;
insônia;
aumento da pressão arterial;
palpitações;
sensação de coração acelerado;
piora de extrassístoles.
Ou seja: não adianta contar apenas as xícaras de café. É preciso considerar todas as fontes de cafeína consumidas ao longo do dia.
E o pré-treino com cafeína?
Para quem treina, essa é uma atenção especial.
O pré-treino não deve ser comparado automaticamente a uma xícara de café. Esses produtos podem conter doses elevadas de cafeína e outros compostos estimulantes.
O cardiologista recomenda cautela: “O consumo de pré-treinos exige muita cautela. Como esses suplementos geralmente contêm altas doses de cafeína sintética e outros compostos, eles podem anular a redução natural da pressão arterial induzida pelo exercício e, segundo estudos, estão mais associados a danos e eventos cardiovasculares adversos do que o café.”
A própria AHA alerta que os resultados observados com o consumo moderado de café não devem ser automaticamente extrapolados para bebidas energéticas e produtos com altas doses de cafeína.
Por isso, quem usa pré-treino deve conferir a quantidade de cafeína do produto e somá-la às demais fontes consumidas durante o dia.
Café não substitui exercício nem alimentação saudável
O cafezinho pode fazer parte de uma rotina saudável, mas não é ele que sustenta a prevenção cardiovascular: “Embora o consumo moderado esteja associado à proteção cardiovascular em muitas situações, ele deve ser visto apenas como parte de um estilo de vida saudável. Cuidados primários, como atividade física, alimentação balanceada e acompanhamento médico, continuam sendo essenciais e insubstituíveis.”
Entre os hábitos mais importantes para a saúde do coração estão alimentação equilibrada, atividade física regular e abandono do cigarro.
Com informações de R7


