O Silêncio Quebrado: Em entrevista exclusiva, Marcelo Spirydes, pivô da Operação Amicis, se diz vítima e revela sua versão sobre os 596 cheques

12 de Dezembro 2025 - 14h43
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Pela primeira vez desde que a Operação Amicis veio a público, o empresário Marcelo Spirydes Cunha, dono da marca Schalk e apontado pela polícia como figura central no esquema que teria fraudado mais de R$ 15 milhões, quebrou o silêncio. Não indiciado no relatório parcial, ele afirma ser vítima de um golpe que manchou sua marca de 27 anos e apresentou sua versão sobre os principais indícios que o colocaram no centro da investigação — entre eles, os 596 cheques apreendidos em sua casa, origem da operação. As informações são do Blog do Dina.

Segundo Marcelo, seu silêncio até agora foi orientação dos advogados. Ele afirma nunca ter enfrentado situação semelhante e nega envolvimento no esquema.

Os 596 cheques: “um museu”

A PF aponta os cheques apreendidos como possível evidência de lavagem de dinheiro. Para Marcelo, eles seriam apenas registros de "maus negócios" guardados ao longo de 27 anos. Ele diz que o recebimento de cheques pré-datados era prática comum com franqueados sem capital de giro. Segundo sua versão, esses títulos eram repassados a uma factoring para antecipação de recebíveis.

O papel da franqueada

Sem citar nomes, Marcelo se refere a João Eduardo Costa de Souza e Layana Soares da Costa — apontados pela polícia como líderes do esquema — apenas como “meus franqueados”. Ele diz conhecê-los há quatro ou cinco anos e atribui a Layana a administração total das operações investigadas. A declaração, porém, reforça a tese policial de que a empresária exercia liderança no grupo.

A BMW e o momento de desconfiança

O empresário afirma que começou a desconfiar dos negócios quando cheques passaram a voltar com mais frequência e, especialmente, após receber uma BMW como pagamento de dívida. O carro, avaliado em R$ 150 mil, teria sido dado para quitar um débito de R$ 90 mil, mas chegou com R$ 20 mil em multas e IPVA atrasados, que ele diz ter pago. O veículo foi apreendido antes de ser transferido para seu nome.

Contradições e lacunas

A narrativa de Spirydes diverge de diversos elementos dos autos. Ele nega conhecer o contador José Ildo Pereira, também indiciado, mas descreve a presença de um contador desconhecido no dia em que ele e os franqueados instalaram tornozeleiras. Também minimiza sua relação com João Eduardo e Layana, apesar de ter sido fiador da J K de Moura, empresa de fachada apontada como central no esquema.

Sobre a acusação de sonegação fiscal em sua empresa GO Comércio, Marcelo nega irregularidades e diz que a dívida de R$ 136 mil se refere a imposto declarado e não pago, atualmente parcelado.

Investigação continua

Convicto de sua inocência, ele acredita que será absolvido e diz ser vítima de pessoas que se aproveitaram de sua estrutura. A Polícia Civil segue investigando o caso. O relatório parcial é apenas parte inicial do inquérito, e somente sua conclusão definirá se Marcelo é inocente — como afirma — ou uma peça-chave no esquema da Operação Amicis.