PMs que deram 46 tiros para matar homem em surto psicótico viram réus

13 de Setembro 2025 - 07h42
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Os policiais militares envolvidos na morte do colombiano Michael Stiven Ramirez Montes, alvejado com 46 tiros em dezembro de 2024, viraram réus por homicídio qualificado. Para o promotor da 3ª Vara do Júri de São Paulo, o crime foi cometido “mediante recurso que dificultou a defesa da vítima”.

Michael, em surto psicótico, foi morto em um apartamento na região da Cracolândia enquanto esfaqueava um cachorro da raça bull terrier. Ele levou 26 disparos; o animal também morreu, atingido por quatro tiros.

Imagens das câmeras corporais mostram os PMs tentando negociar antes de abrirem fogo por mais de dez segundos e, em seguida, efetuarem novos disparos quando a vítima já agonizava. Os vídeos ainda flagraram os policiais combinando uma versão para justificar a ação.

Foram denunciados os PMs Bruno Freitas da Silva, Gabriel Henrique Correa Vilas Boas, Helder Soares Júnior e Mailson de Oliveira Macedo. O juiz aceitou a denúncia em 5 de agosto e autorizou novas testemunhas no processo.

Michael foi uma das 85 vítimas da PM sem arma de fogo em São Paulo em 2024. Nessas ocorrências, a corporação realizou 459 disparos, média de seis por pessoa morta. A maioria dos casos ocorreu em regiões pobres ou violentas.

A postura contrasta com uma ação em Pinheiros, bairro nobre, três semanas antes. Na ocasião, o empresário Marcelo Berlinck Mariano atirou contra policiais da porta de seu apartamento. O Gate foi acionado e o suspeito foi contido sem disparos, apesar de possuir 152 armas em casa.