Rastros deixados por aviões podem aquecer o planeta mais que o CO2

16 de Dezembro 2025 - 18h12
Créditos: Mint Images / Getty Images

Um estudo publicado em 29 de setembro na revista Nature Communications aponta que a aviação contribui para o aquecimento global não apenas pelas emissões de CO₂, mas também pelas contrails — trilhas brancas deixadas por aviões —, que respondem por cerca de 15% do custo social total do impacto climático do setor.

As contrails se formam quando o vapor d’água dos motores entra em contato com camadas frias e úmidas da atmosfera, transformando-se em cristais de gelo. Em alguns casos, dissipam-se rapidamente; em outros, persistem por horas e se espalham como nuvens finas semelhantes aos cirros. Essas nuvens artificiais refletem parte da radiação solar, mas também retêm o calor emitido pela Terra, gerando, no balanço geral, efeito de aquecimento, especialmente à noite.

Para medir o impacto, cientistas analisaram dados de quase 500 mil voos sobre o Atlântico Norte, combinando informações atmosféricas, modelos climáticos e econômicos. O objetivo foi estimar o custo social, indicador que traduz danos futuros das mudanças climáticas, como impactos na saúde, agricultura e economia.

Os resultados indicam que o custo anual das contrails varia de US$ 4,3 bilhões a US$ 410 bilhões, dependendo do cenário climático. Já as emissões de CO₂ da aviação geram custos entre US$ 23 bilhões e US$ 1,6 trilhão por ano. No cenário considerado mais provável, as contrails representam cerca de 15% do impacto climático total da aviação.

O estudo também mostra que nem todas as contrails aquecem o planeta: cerca de 38% dos voos analisados geraram trilhas com efeito de aquecimento, enquanto outros tiveram impacto neutro ou até levemente resfriador, a depender da rota, altitude e horário. Segundo os pesquisadores, pequenos ajustes de trajetória para evitar regiões favoráveis à formação de contrails persistentes poderiam reduzir o impacto climático, mesmo com leve aumento no consumo de combustível.

Os autores defendem que políticas climáticas e estratégias do setor aéreo considerem não só o CO₂, mas também esses efeitos de curto prazo, enquanto tecnologias mais limpas ainda estão em desenvolvimento.