Rogério Marinho: “PL terá candidato próprio à Presidência em 2026”

11 de Outubro 2024 - 11h14
Créditos: Geraldo Magela/Agência Senado

O líder da oposição no Senado e secretário-geral do Partido Liberal, Rogério Marinho (RN), faz uma avaliação muito positiva da performance da direita nas urnas do último domingo (6), sobretudo nas grandes cidades, embora com ressalvas. Ele observa um avanço significativo do PL e acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro será o candidato em 2026. Mas defende que a expansão continuada da legenda deva se refletir não só nos números, mas também na qualidade. Ou seja, o partido tem que crescer, mas os membros têm que ter coerência e adesão às ideias da direita.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Marinho destaca que o momento é de o partido “conversar para dentro”, reforçando princípios conservadores e a sua identidade, destacando a volta à Presidência da República como o maior objetivo. Para ele, a nitidez programática e ideológica e a coerência dos filiados são fundamentais para novas conquistas.

Ao comentar a tese de que partidos da centro-direita cresceram mais, Marinho afirma que esse avanço se deve à tradição e a arranjos locais, ressaltando que o eleitor exige mais clareza de posições no plano nacional, sobretudo em temas como liberdade econômica e defesa de valores essenciais. Ele cita o caso do PSD, presidido por Gilberto Kassab, presente nos governos de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Suas posições flutuam ao sabor das conveniências do momento”, resume.

Marinho garante a perspectiva da candidatura de Bolsonaro à Presidência até quando puder buscar retomar a elegibilidade, mas adianta que o PL terá candidato próprio ao Planalto em 2026, dialogando com outras forças políticas. “As convergências entre PL, PP e Republicanos, por exemplo, são bem maiores que as divergências. Obviamente, só não conversaremos com a esquerda", enfatiza.

Quanto ao “fenômeno Pablo Marçal”, Marinho refuta a ideia de que o empresário derrotado na corrida pela Prefeitura de São Paulo tenha ameaçado a liderança de Bolsonaro na direita. Para o senador, embora a campanha dele tenha trazido lições, não mostrou consistência política. “Ele se comportou como algoritmo, mudando de posição conforme oscilações nas redes sociais”, avalia. Ainda assim, reconhece que a corrida paulistana evidenciou a inclinação à direita na maior cidade do país.

Veja trecho da entrevista:

Qual é balanço que o PL faz do primeiro turno das eleições? A direita se fortaleceu?

"O PL sai dessas eleições fortalecido, especialmente considerando que é a primeira eleição municipal desde a entrada de Jair Bolsonaro no partido. Comparado com a anterior, quando o partido obteve 4,6 milhões de votos, o PL atingiu agora 15,7 milhões, um crescimento expressivo de 240% no número de eleitores. Nas 103 maiores cidades, onde pode haver segundo turno, o PL venceu em 10 como cabeça de chapa e em várias outras como vice. Dos 51 municípios que terão segundo turno, o partido está em 23 disputas, ou 32 se considerarmos os vices.

O eleitorado do PL é predominantemente urbano, com maior renda e escolaridade, e, portanto, menos dependente do Estado. Já o PT tem se consolidado como o partido dos grotões e perdeu a conexão com a sociedade atual, comunicando-se a partir de uma visão que remete aos anos 1980. As pessoas que valorizam o mérito, a liberdade de expressão e o progresso material tendem a se identificar hoje mais com o PL.

Nosso partido se conecta melhor com a população que valoriza mérito, liberdade de expressão e progresso material. A missão do PLé refinar sua proposta ideológica, tanto internamente quanto externamente, deixando claro que suas ações vão além da retórica, defendendo menos carga tributária, direito à vida e à propriedade e a redução do Estado. Aqueles dentro do PL que não compartilham dessas convicções devem procurar outra legenda."

O senador Flávio Bolsonaro mencionou Tarcísio de Freitas como possível substituto do pai nas eleições de 2026, caso Bolsonaro permaneça inelegível.  

"Nosso candidato será o candidato do PL e estamos focados em fortalecer o partido. Tarcísio é um político importante e próximo, mas está no Republicanos, assim como Ratinho está no PSD. Temos convergências e divergências com todos os partidos de centro-direita, o que é normal em uma democracia liberal. Estamos confiantes de que Bolsonaro será nosso candidato, e só consideraremos outras opções após esgotar todas as possibilidades para recorrer. O senador Ciro Nogueira já indicou que marchará conosco se Bolsonaro for candidato, mas se for outro nome, ele terá que consultar sua base e pode tomar outro caminho."

Como o PL planeja derrotar Lula em 2026?

"Se Bolsonaro for candidato, será uma eleição plebiscitária já no primeiro turno, confrontando a sua gestão com a de Lula. O atual governo repete os erros que levaram o país ao colapso econômico e moral em 2015 e 2016. A população percebe as inconsistências éticas e os gastos luxuosos de Lula em viagens e na residência oficial, em contraste com a postura verdadeiramente austera de Bolsonaro. A política externa do Brasil sob Lula também é desastrosa, contrária aos interesses do país, com alinhamentos automáticos com regimes autoritários que vão contra os valores históricos do país."

Com informações de Gazeta do Povo