“Ruim igual a mãe”; ex-conselheiro do DF agride mulher e ameaça filha

21 de Fevereiro 2026 - 07h52

A Justiça do Distrito Federal concedeu medidas protetivas em favor dos filhos do ex-conselheiro tutelar de Santa Maria (DF), Hessley Brito dos Santos, após novo registro de ocorrência envolvendo ameaças, ofensas e violência psicológica no contexto da Lei Maria da Penha. A decisão foi divulgada na segunda-feira (16/2), após pedido do Ministério Público.

A denúncia foi registrada em 12 de fevereiro na 33ª Delegacia de Polícia e apura crimes de difamação, injúria, ameaça e violência psicológica contra a ex-companheira. Segundo o relato, após o divórcio — ocorrido há quatro anos, após 10 anos de casamento — o homem passou a ofender a mulher e familiares com frequência, além de aparecer inesperadamente em locais como escola das crianças, residência e igreja.

O principal motivo da ocorrência, porém, envolve a filha do casal, de 13 anos. A mãe afirma que a adolescente passou a sofrer xingamentos, humilhações e tratamento diferenciado em relação ao irmão de 4 anos. Entre as falas atribuídas ao pai estaria que a menina seria “ruim igual à mãe”. A jovem teria manifestado medo e não deseja mais conviver com ele. O filho mais novo também demonstrou receio após presenciar as situações.

A ex-companheira disse que demorou a procurar a polícia por medo de ameaças e por acreditar que o homem, por conhecer a legislação — já que atuou como conselheiro tutelar — poderia tentar reverter a guarda das crianças. Ela relatou ainda histórico de violência psicológica, ciúmes excessivos e intimidações durante o relacionamento, que terminou após a descoberta de uma traição.

Histórico de investigações
Hessley já havia sido investigado por violência doméstica em 2025 contra outra mulher. Em março do mesmo ano, também foi acusado de invadir o local de trabalho de uma vítima e proferir ofensas.

Em 2023, ele foi alvo da Operação Degola, que investigou um esquema para fraudar eleições do Conselho Tutelar do DF por meio de invasão de sistemas e inserção de documentos falsos para eliminar candidatos. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, com recolhimento de eletrônicos e um simulacro de arma de fogo. Após a operação, ele foi exonerado do cargo de gerente de Políticas Sociais da Administração Regional de Santa Maria.

Até dezembro de 2025, Hessley atuava como técnico assistente social da Secretaria de Desenvolvimento Social do DF, com salário líquido de R$ 13.610,86 no último mês do ano, segundo o Portal da Transparência.

A defesa do investigado não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.