Servidor diz que gestão Bolsonaro pediu dados que ligassem Lula a facção

14 de julho 2025 - 21h43
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O servidor do Ministério da Justiça, Clebson Ferreira de Paula Vieira, afirmou ao STF que, durante o governo Bolsonaro (PL), recebeu ordem para produzir dados que ligassem o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a organizações criminosas. O depoimento foi prestado nesta segunda (14), no inquérito que apura tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Analista de inteligência na época, Clebson relatou que a ordem era criar uma “correlação estatística” entre votos em Lula e áreas controladas por facções no Rio de Janeiro, como o Comando Vermelho. Ele disse ter comentado o pedido com a então esposa, por considerar o teor político da demanda.

O servidor também foi orientado a analisar dados do segundo turno, violência nas eleições e registros ligados às urnas.

As oitivas do STF começaram nesta segunda com testemunhas indicadas pela PGR e defesas dos réus dos núcleos 2, 3 e 4 do inquérito. Os depoimentos vão até 23 de julho, com participação de senadores, deputados e ex-assessores do governo. As audiências ocorrem por videoconferência e sem acesso da imprensa.

No núcleo 2, são réus: Fernando de Sousa Oliveira (delegado da PF), Filipe Martins (ex-assessor internacional), Marcelo Câmara (coronel da reserva), Marília Alencar (ex-diretora de inteligência da PF), Mario Fernandes (general da reserva) e Silvinei Vasques (ex-diretor da PRF).

Os demais núcleos incluem militares de alta patente, agentes da PF e envolvidos na logística do plano golpista. Todos respondem por tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.