Créditos: André Dusek
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello fez duras críticas à atuação recente da Corte, classificando o momento como uma “extravagância” que traz enorme desgaste institucional. Em entrevista à Coluna do Estadão, ele destacou que as decisões do ministro Alexandre de Moraes são “incompreensíveis ao estado democrático de direito” e afirmou que a história cobrará tais atos.
Segundo Marco Aurélio, a atuação do STF perdeu o equilíbrio institucional:
“Essa atuação alargada do Supremo, tão incisiva, implica desgaste. A história cobrará.”
Sobre as restrições impostas a Jair Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica e proibição de interações, ele foi enfático:
“Isso é mordaça, censura prévia. É incompreensível. Nem no regime militar houve isso.”
Para o ex-ministro, o inquérito contra Bolsonaro começou errado e nem deveria estar no STF:
“Lula respondeu na 1ª instância. Bolsonaro deveria fazer o mesmo. Por que está no Supremo?”
Ele ainda afirmou que as ações de Moraes afetam a dignidade do ex-presidente e considera a tornozeleira um ato humilhante:
“É tratado como bandido de alta periculosidade.”
Marco Aurélio também criticou a solidariedade entre ministros da Corte:
“É um espírito de corpo. Não há campo para solidariedade no órgão julgador.”
Por fim, o ex-ministro apelou por uma mudança de postura no STF:
“Que o Supremo volte a atuar como colegiado e não como voz isolada. A Corte precisa ouvir a repercussão dos próprios atos.”
A entrevista completa, publicada nesta semana, reflete uma crescente preocupação com os rumos do Judiciário no país.

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