STF vive uma extravagância e Moraes precisa ser levado ao divã, diz Marco Aurélio Mello

22 de julho 2025 - 21h35
Créditos: André Dusek

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello fez duras críticas à atuação recente da Corte, classificando o momento como uma “extravagância” que traz enorme desgaste institucional. Em entrevista à Coluna do Estadão, ele destacou que as decisões do ministro Alexandre de Moraes são “incompreensíveis ao estado democrático de direito” e afirmou que a história cobrará tais atos.

Segundo Marco Aurélio, a atuação do STF perdeu o equilíbrio institucional:

“Essa atuação alargada do Supremo, tão incisiva, implica desgaste. A história cobrará.”

Sobre as restrições impostas a Jair Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica e proibição de interações, ele foi enfático:

“Isso é mordaça, censura prévia. É incompreensível. Nem no regime militar houve isso.”

Para o ex-ministro, o inquérito contra Bolsonaro começou errado e nem deveria estar no STF:

“Lula respondeu na 1ª instância. Bolsonaro deveria fazer o mesmo. Por que está no Supremo?”

Ele ainda afirmou que as ações de Moraes afetam a dignidade do ex-presidente e considera a tornozeleira um ato humilhante:

“É tratado como bandido de alta periculosidade.”

Marco Aurélio também criticou a solidariedade entre ministros da Corte:

“É um espírito de corpo. Não há campo para solidariedade no órgão julgador.”

Por fim, o ex-ministro apelou por uma mudança de postura no STF:

“Que o Supremo volte a atuar como colegiado e não como voz isolada. A Corte precisa ouvir a repercussão dos próprios atos.”

A entrevista completa, publicada nesta semana, reflete uma crescente preocupação com os rumos do Judiciário no país.