Vaticano exclui grupo ultraconservador da Igreja Católica e excomunga bispos

04 de julho 2026 - 14h56

O Vaticano excluiu nesta quinta-feira (2) a Fraternidade São Pio X (SSPX), grupo católico ultraconservador que desafiou o papa Leão XIV, da Igreja Católica.

A Santa Sé anunciou ainda a excomunhão dos bispos ligados à organização, declarou inválidos os sacramentos celebrados por eles e orientou os fiéis a não aderirem ao grupo.

Segundo o Vaticano, a Fraternidade São Pio X está oficialmente "em cisma" com a Igreja Católica, o que significa que a entidade foi oficialmente separada da ordem da Igreja.

A decisão foi anunciada um dia após a fraternidade desafiar o papa Leão XIV ao ordenar quatro bispos sem autorização da Santa Sé, em uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça, considerada pelo Vaticano um "ato cismático".

Além da excomunhão dos bispos, o Vaticano advertiu os católicos de todo o mundo que a Fraternidade São Pio X agora celebra sacramentos de forma ilícita e não pode oficiar casamentos nem ouvir confissões com validade perante a Igreja Católica.

A Santa Sé também afirmou que os padres e fiéis leigos que aderirem ao grupo ultraconservador dissidente passam a ser considerados em situação de cisma e excomungados.

Antes da ordenação, Leão XIV havia feito um último apelo ao superior da Fraternidade São Pio X, o padre Davide Pagliarani, para que desistisse da cerimônia. Em carta divulgada pelo Vaticano, o pontífice pediu que o grupo "renunciasse ao projeto" e alertou para as consequências da decisão.

Foram consagrados quatro novos bispos — dois franceses, um norte-americano e um suíço — diante de milhares de fiéis reunidos na sede da fraternidade.

Grupo rejeita reformas da Igreja
A Fraternidade São Pio X reúne católicos tradicionalistas que defendem a reversão de mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II.

Entre as principais bandeiras do grupo estão o retorno das missas em latim, celebrações com o padre voltado para o altar — de costas para os fiéis — e a rejeição de parte das reformas litúrgicas e pastorais adotadas pela Igreja nas últimas décadas.

A decisão do Vaticano marca uma nova escalada na crise entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, considerada o maior grupo dissidente do catolicismo tradicionalista.