[VÍDEO] Vorcaro pagou autoridades do STF, do Senado e do Governo, mas foi tudo "na amizade" e no "relacionamento"

15 de Junho 2026 - 12h49
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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, apresentou duas propostas de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, ambas rejeitadas pela PF. Nas minutas, Vorcaro citou um conjunto de nomes que atravessa o espectro político brasileiro, contudo, segundo o que foi noticiado, em nenhum dos casos teria havido o "pagamento de propina", apenas a realização de contratos e parcerias por "relacionamento". 

Vejam só:

- O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, que teria recebido US$ 30 milhões (de dólares). 

- O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), é o único integrante do primeiro escalão do governo Lula mencionado: Vorcaro afirmou ter repassado R$ 20 milhões em caixa dois para a campanha de Silveira ao Senado em 2022. 

- O senador Ciro Nogueira (PP-PI) aparece com destaque: na primeira versão, Vorcaro disse que bancou viagens e festas por "amizade".

- Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi citado no contexto do filme "Dark Horse", sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, para o qual o senador teria pedido recursos ao banqueiro. Vorcaro, porém, classificou o repasse como "patrocínio", o que irritou os investigadores.

- Vorcaro sinalizou que o contrato com Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, era apenas para ter um "relacionamento" com o STF, mas não seria o pagamento de propina. Ao que parece, deu certo: Moraes trocou mensagens e frequentou até a casa do ex-banqueiro. 

- O nome de Rui Costa, ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, apareceu associado à expansão do Master no estado, assim como o do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, seu antecessor no Palácio de Ondina. 

O motivo central da dupla rejeição pela PF é objetivo: Vorcaro não apresentou provas documentais suficientes para sustentar seus relatos. 

Mudou versões entre uma proposta e outra, não detalhou contrapartidas e, na avaliação dos investigadores, tentou blindar aliados políticos enquanto oferecia informações que as autoridades já possuíam. Com a liquidação do Master decretada pelo Banco Central e um liquidante no comando da instituição, o acesso a documentos internos do banco depende de procedimentos formais que Vorcaro, preso em Brasília, não controla mais.

A PGR ainda analisa o material e o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, aguarda um posicionamento conjunto. Se a Procuradoria também rejeitar, Vorcaro terá que enfrentar o processo sem os benefícios de um acordo de colaboração, o que eleva dramaticamente suas penas potenciais diante de um rombo estimado em R$ 60 bilhões. 

A delação que prometia ser "do fim do mundo", como se dizia na Praça dos Três Poderes, corre o risco de acabar como a confissão que ninguém quis ouvir.

Informações do Portal da 96.

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