O Grande Ponto é uma verdadeira instituição do povo natalense. Quem não é da capital potiguar, não sabe a importância que este canto da cidade teve para a sua população. O Grande Ponto ganhou vida quando, lá pela década de 20, o português Custódio de Almeida inaugurou o Café Grande Ponto, ali no cruzamento da avenida Rio Branco com a rua João Pessoa.

Algum tempo depois o Café Grande Ponto fechou as portas. Mas o nome passou a ser a denominação daquela encruzilhada para sempre. Ali cruzavam todos os bondes elétricos, único transporte coletivo existente na época. Além do café e dos bondes, mesmo em diferentes épocas, em cada esquina daquele cruzamento existia uma edificação marcante.

De um lado o Café Avenida, do outro, o lugar onde jet-set da cidade se reunia; o Natal Clube. Anos mais tarde, a Confeitaria Helvética, o cinema Rex, o Café Maia, a Sorveteria Cruzeiro. O Caldo de Cana do Raimundo, a Loja Seta, que algumas primaveras depois Nevaldo Rocha transformaria no que hoje são as lojas Riachuelo. O termo ainda não existia, mas o happy-hour potiguar ganhava um endereço eterno.

Um verdadeiro púlpito a céu aberto, o Grande Ponto era um catalisador, um chamariz. Comerciantes, profissionais liberais, desembargadores, professores, poetas e artistas. Existiam grupos para conversas de todos os tipos e calões: futebol, política, religião e até safadeza.

Durante a II Grande Guerra a “esquina do mundo”, como apelidou Djalma Maranhão, prefeito de Natal na década de 60, começou a funcionar o “Serviço de Alto Falante”. Todos os dias, às sete da noite, o Serviço transmitia músicas e, às nove horas, retransmitia o noticiário da BBC de Londres. O número de “grandepontenses” crescia de maneira acelerada...

É por essas e outras que aquele cantão não se extinguia. “Ali, a democracia participativa criava raízes”, pois a discussão era permanente. A falação resolvia todos os problemas, fossem eles, nacionais ou importados. Como dizem os versos do poeta Celso da Silveira, o Grande Ponto era “centro referencial de política e cultura, de oposição e governo; a palavra ali falada no palanque dos comícios, ganharam tal ressonância, que nos seus cantos ecoam”.

O ponto dos grandes homens

Naquela encruzilhada o mestre Câmara Cascudo comandava o papo, falava dos compassos flutuantes da política, da cultura e do folclore. Outro célebre habitué do Grande Ponto era Djalma Maranhão.

Ex-presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol, o desportista e conversador João Cláudio Machado junto com seu grupo de noctívagos varavam as madrugadas em falácias intermináveis. Por ali passaram grandes figuras, a maioria, atualmente, é nome de rua ou escola. O Grande Ponto hoje é tema de livro, de tese de mestrado e, sobretudo, objeto da saudade daqueles que frequentaram o local.

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