Destaque do Zorra Total (1999-2015) como a gênia estagiária Efigênia, Dani Valente deu uma virada em sua vida e foi tentar a sorte em Los Angeles. Ao contrário de colegas como Rodrigo Santoro e Alice Braga, ela não sonha com uma carreira de atriz em Hollywood: Dani estudou para se tornar roteirista e trabalhar atrás das câmeras.

Alçada ao sucesso ainda nova, ao lado de Deborah Secco na série Confissões de Adolescente (1994-1996), a artista percebeu que não tinha nenhuma atração pela fama. Gostava, sim, de trabalhar no audiovisual, mas não de ser uma celebridade.

Nos Estados Unidos, sem o rótulo de "famosa", ela pôde se reinventar --cursou Roteiro na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) e botou seu aprendizado em prática com a comédia nacional Desjuntados, lançada pelo Prime Video no início deste mês.

"Quando saí do Brasil, quis focar na minha carreira de roteirista. Não foi porque minha carreira de atriz não estava bem, inclusive, quando me mudei eu estava contratada de duas televisões [Globo e Multishow]. Quis morar nos Estados Unidos por escolha", lembra Dani ao Notícias da TV.

No novo país, ela decidiu se dedicar aos roteiros. "Eu já escrevia alguma coisa no Brasil, mas não era 100% focada nisso porque minha carreira de atriz tomava muito do meu tempo. Então a primeira coisa eu fiz aqui foi me matricular na UCLA. Pensei: 'Ideia eu sempre tive, só me falta aprender a técnica'. Aí foquei na técnica de roteiro aqui", explica.

Apesar de atrizes como Michaela Coel e Phoebe Waller-Bridge terem obtido muito sucesso ao roteirizarem projetos para elas mesmas estrelarem --I May Destroy You (2020) e Fleabag (2016-2019), respectivamente--, Dani não tinha a menor pretensão de atuar em Desjuntados.

"Em nenhum momento quis participar como atriz da série. Porque queria ter essa experiência de ficar totalmente por trás das câmeras, focar nessa parte de roteiro. Não foi uma coisa que eu escrevi porque queria produzir algo para mim. Queria escrever por pura paixão pela escrita, criar personagens", define ela, que divide os textos com Mina Nercessian.

Ela reconhece, porém, que o fato de ser a atriz a ajudou na concepção dos personagens da comédia do Prime Video. "A gente lê [os roteiros] como se fosse os personagens, faz as vozes, o jeito: 'E se fulano falasse assim? Ia ser maneiro pra caramba'. Se não está bom na hora que a gente lê, reescreve", diz ela, que ressalta a principal diferença entre atuar e roteirizar: "Na atuação, a gente se preocupa em dar vida a um personagem. Agora, tem que criar todos, um universo inteiro".

Questionada pela reportagem se não há a menor possibilidade de ela dar as caras em uma eventual segunda temporada de Desjuntados, ela entrega que pode acontecer, mas faz exigências. "Se eu for criar uma personagem para mim, ela vai ter uma fala só, porque tenho muita preguiça (risos). Imagina escrever tudo e ainda ter que decorar depois? Não, que preguiça", diverte-se.