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Após passar cerca de um dia e meio internada para tratar uma cefaleia refratária — dor de cabeça que não melhora com medicamentos comuns —, Michelle Bolsonaro, de 44 anos, recebeu alta neste domingo (2/8). Durante a internação, a ex-primeira-dama foi submetida a um bloqueio anestésico de nervos cranianos.
Segundo a neurologista Lorena Bochenek, do Hospital Mater Dei Goiânia, o procedimento é minimamente invasivo e consiste na aplicação de anestésico local, às vezes associado a corticoide, próximo a nervos responsáveis pela transmissão da dor.
Na neurologia, os bloqueios mais comuns são realizados nos nervos occipitais maior e menor, localizados na região da nuca e do couro cabeludo, além de outros nervos sensitivos da cabeça, conforme o quadro de cada paciente.
O procedimento é considerado seguro quando realizado por profissional capacitado. Os efeitos colaterais são geralmente leves, como dor no local da aplicação, pequeno hematoma ou dormência temporária. Complicações graves são raras.
O tratamento é indicado principalmente para casos de enxaqueca de difícil controle, cefaleia cervicogênica, neuralgia occipital e algumas neuralgias cranianas. Também pode ser utilizado em situações específicas de cefaleia em salvas e para interromper crises prolongadas de enxaqueca, conhecidas como status migranoso.
Como funciona
O bloqueio reduz temporariamente a transmissão dos sinais de dor pelos nervos e ajuda a diminuir a sensibilização do sistema nervoso. Para alguns pacientes, o procedimento pode proporcionar alívio rápido, reduzir a intensidade e a frequência das crises e melhorar a resposta a outros tratamentos.
A especialista ressalta, porém, que o bloqueio faz parte de um plano terapêutico e não substitui a investigação da causa da dor.
Principais causas de dor de cabeça
As dores persistentes podem ter diversas causas. As mais comuns são a enxaqueca e a cefaleia tensional, mas também podem estar relacionadas ao uso excessivo de analgésicos, alterações na coluna cervical, distúrbios do sono, ansiedade, depressão e outras condições.
Embora a maioria das cefaleias não esteja ligada a doenças graves, algumas podem ser sinal de infecções, tumores, aneurismas, acidentes vasculares cerebrais ou inflamações do sistema nervoso.
A enxaqueca costuma provocar dor pulsátil, de intensidade moderada a intensa, frequentemente em um lado da cabeça, com duração de 4 a 72 horas. Náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e aos sons também são comuns. Em alguns casos, há aura, com alterações visuais ou sensitivas antes da crise.
Já a cefaleia tensional, conhecida como “dor de cabeça comum”, geralmente causa sensação de pressão ou aperto nos dois lados da cabeça, com intensidade leve a moderada e poucos sintomas associados.
Segundo a Cleveland Clinic, existem mais de 150 tipos de dor de cabeça. Enquanto as mais comuns geralmente não indicam problemas graves, a enxaqueca é considerada uma condição neurológica.


