Brasil tem maior onda de direita pós-ditadura

05 de Outubro 2026 - 08h50
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As eleições de 2026 mostram uma guinada à direita inédita no cenário político brasileiro desde o fim da ditadura militar, em 1985. O senador e candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, terminou o 1º turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 47,03% X 45,16%. Recebeu 5 milhões de votos a mais que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022. O 2º turno será em 25 de outubro.

A vantagem de Flávio para Lula é de só 1,87 ponto percentual. É a menor diferença entre o 1º e o 2º colocado desde a 1ª eleição direta desde 1989. A disputa pela Presidência nunca teve uma virada desde que passou a contar com 2º turno. Ou seja, quem terminou a 1ª etapa à frente foi eleito presidente.

A maior onda da direita depois da ditadura militar (1964-1985) não se resume ao 1º turno da eleição presidencial. O Congresso Nacional terá 4 Bolsonaros em 2027 e o PL (mesmo com a apuração ainda em andamento), a maior bancada:

  • Michelle (PL-DF), ex-primeira-dama – senadora pelo Distrito Federal;
  • Carlos (PL-SC), filho – senador por Santa Catarina;
  • Jair Renan (PL-SC), filho – deputado federal por Santa Catarina;
  • Renato (PL-SP), irmão – deputado federal por São Paulo.

1/3 DO SENADO SERÁ DO PL
O partido de Flávio Bolsonaro terá 28 senadores em 2027. É mais que o triplo da 2ª maior bancada da Casa, a do PT, com 9. Foram eleitos 19 no domingo (4). Há ainda nomes que não são do partido, mas estão alinhados à direita. É o caso de Marcel van Hattem (Novo), Deltan Dallagnol (Novo) e Guilherme Derrite (PP).

Entre os senadores eleitos, houve algumas dobradinhas:

  • São Paulo – Derrite (PP) e André do Prado (PL);
  • Rio de Janeiro – Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL):
  • Santa Catarina – Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL);
  • Distrito Federal – Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL);
  • Rio Grande do Sul – Sanderson (PL) e Van Hattem (Novo);
  • Paraná – Filipe Barros (PL) e Deltan (Novo).


SUL-SUDESTE
Dos 7 Estados da região, 5 serão chefiados ou permanecerão sob o comando da direita a partir de 6 de janeiro de 2027. O maior colégio eleitoral do país, São Paulo, reelegeu Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em Minas Gerais, deu Cleitinho (Republicanos) no 1º turno.

No Rio de Janeiro, houve uma surpresa. O candidato apoiado por Flávio, Douglas Ruas (PL), disputará o 2º turno Eduardo Paes (PSD). Há, no entanto, uma pendência. O Tribunal Superior Eleitoral precisa definir o que será da candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), que concorreu sub judice. Se os votos do ex-governador forem anulados, Ruas terá mais de 50% dos votos válidos e será considerado o vencedor do pleito –e será mais um político de direita a governar um Estado no Sudeste.

No Sul, foram 3 vitórias do PL em 1º turno:

Paraná – Sergio Moro eleito governador;
Santa Catarina – Jorginho Mello reeleito governador;
Rio Grande do Sul – Zucco eleito
Dos 20 governadores eleitos ou reeleitos no 1º turno, 13 são de direita.

Com informações de Pdoer 360