Butantan afirma que ainda não há relação comprovada entre vacina da dengue e duas mortes suspeitas

08 de Junho 2026 - 16h52
Créditos: Instituto Butantan/ Divulgação

O Instituto Butantan afirmou que ainda não há dados suficientes para confirmar uma relação entre a vacina contra a dengue e os casos graves registrados após a imunização. A declaração foi feita após o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidirem suspender temporariamente a aplicação do imunizante para reavaliar a estratégia vacinal.

Em nota, o instituto informou que continuará colaborando com as autoridades de saúde, fornecendo informações sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados.

A suspensão foi anunciada nesta segunda-feira (8) pelo Ministério da Saúde após o registro de eventos adversos considerados graves, incluindo duas mortes sob investigação. Segundo o Butantan, a medida tem caráter preventivo e busca garantir a segurança da população.

De acordo com o governo federal, cerca de 500 mil doses da vacina já foram aplicadas, principalmente em profissionais de saúde. Nesse universo, foram registrados 42 casos de eventos adversos graves possivelmente associados à vacinação.

Segundo o Butantan, apenas três casos apresentaram sinais de gravidade e ainda não é possível estabelecer uma relação causal entre os episódios e a vacina.

Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que as investigações realizadas até o momento não encontraram evidências suficientes para comprovar que os casos graves e os óbitos tenham sido provocados pelo imunizante.

“Não há, até este momento, dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência dos casos”, disse o ministro.

O Ministério da Saúde informou que os eventos identificados não haviam sido observados nos estudos clínicos que embasaram a aprovação da vacina. Antes da liberação do imunizante, cerca de 16 mil pessoas participaram da pesquisa e foram acompanhadas por cinco anos, com resultados publicados na revista científica Nature.

Entre janeiro e 30 de maio de 2026, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% dos vacinados. Desses casos, 42 apresentaram sinais de alarme, como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos, representando 0,008% do total de imunizados.

Os três casos considerados graves envolveram uma mulher de 39 anos, que se recuperou após internação em UTI, uma mulher de 48 anos e um homem de 58 anos, ambos mortos após desenvolverem quadros graves compatíveis com dengue.

A Anvisa informou que notificou o Instituto Butantan e deverá convocar um comitê de especialistas para aprofundar a investigação epidemiológica dos casos. O trabalho será realizado em conjunto pela agência reguladora, pelo Ministério da Saúde e pelo próprio Butantan.

O instituto reafirmou seu compromisso com a produção de vacinas seguras e eficazes para o enfrentamento de problemas de saúde pública por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com informações do g1