O Ministério Público do RN (MPRN) recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) para derrubar a decisão liminar que suspendeu a expulsão do policial militar Pedro Inácio Araújo de Maria. O PM recebeu uma condenação de 20 anos de prisão pelos crimes relacionados à morte de Zaira Dantas Silveira Cruz.
A decisão do desembargador Cláudio Santos permitiu o retorno do policial aos quadros da Polícia Militar. Agora, a Procuradoria-Geral de Justiça tenta reverter a medida e restabelecer a exclusão do PM.
No recurso, o MPRN também questiona a primeira punição aplicada pela Polícia Militar no processo administrativo.
Inicialmente, o Conselho de Disciplina determinou 30 dias de prisão disciplinar para Pedro Inácio. Entretanto, o Ministério Público considerou a penalidade inadequada diante da gravidade dos fatos.
Além disso, o policial não cumpriu a punição administrativa porque já estava preso preventivamente por determinação da Justiça no processo criminal.
Após a recomendação do Ministério Público, o Comando-Geral da PMRN decidiu excluir Pedro Inácio dos quadros da corporação.
A medida considerou o descumprimento de deveres éticos, a violação da honra pessoal e o comprometimento do decoro da classe. Dessa forma, a Polícia Militar aplicou uma nova consequência administrativa ao caso.
No entanto, a defesa do policial recorreu à Justiça contra a expulsão. Posteriormente, o desembargador Cláudio Santos concedeu uma liminar e suspendeu a medida.
Com isso, Pedro Inácio conseguiu retornar à Polícia Militar.
MPRN recorre contra reintegraçãoAgora, o MPRN tenta derrubar a liminar que permitiu a reintegração.
No agravo interno, a Procuradoria-Geral de Justiça argumenta que a responsabilização administrativa possui autonomia em relação ao processo criminal. Portanto, segundo o órgão, a Polícia Militar pode aplicar sanções disciplinares próprias para preservar a hierarquia e a moralidade da instituição.
O Ministério Público defende que a primeira punição, de 30 dias, não correspondeu à gravidade das condutas analisadas no processo.
Por isso, o MPRN pede ao TJRN a revogação imediata da liminar e o restabelecimento da expulsão.
Condenação de Pedro InácioO caso teve origem em março de 2019, em Caicó, na região Seridó do Rio Grande do Norte. Zaira Dantas Silveira Cruz morreu dentro de um carro, e a investigação apontou a participação de Pedro Inácio.
O Tribunal do Júri condenou o policial a 20 anos de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado e estupro.
Entretanto, a condenação ainda não transitou em julgado. A defesa apresentou recurso, que aguarda análise da Câmara Criminal do TJRN. Portanto, a situação criminal do policial ainda pode sofrer alteração após o julgamento definitivo.


