Casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis disparam em Natal

24 de Agosto 2026 - 12h33
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Natal fechou o ano de 2025 com 3.108 novos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). O número consolida uma tendência de alta observada ao longo do ano e reforça o alerta feito pelo próprio Plano Municipal de Saúde da capital, que já apontava recorde de casos de aids entre adultos.

Sífilis lidera os registros
Do total de 3.108 casos notificados entre janeiro e dezembro de 2025, a sífilis foi de longe a infecção mais registrada, com 2.201 casos — o equivalente a cerca de 71% de tudo o que foi diagnosticado no município. Em seguida vêm o HIV/Aids, com 774 registros, e as hepatites virais, com 133 casos.

Boletins publicados pela SMS ao longo do ano mostram a curva de crescimento mês a mês: até junho, Natal somava 1.668 casos; entre janeiro e agosto, a sífilis isolada já chegava a 1.536 registros; e no acumulado de dez meses o total de ISTs havia passado de 2,7 mil. O ritmo dos primeiros meses de 2026 segue elevado — de janeiro a abril já foram contabilizados 873 novos casos na cidade.

Um problema que também aparece no diagnóstico municipal de saúde
O avanço das ISTs em Natal não é um dado isolado. O Plano Municipal de Saúde recém-aprovado pela Prefeitura já havia identificado um recorde de casos de aids em adultos: 733 registros em 2024, ante 431 em 2020. No mesmo período, a sífilis adquirida na capital saltou de 729 para 1.818 casos. O documento também aponta baixas coberturas vacinais infantis na cidade, o que soma-se ao quadro de vulnerabilidades em saúde pública apontado pela gestão municipal.

O contexto no Rio Grande do Norte
Os números de Natal acompanham uma tendência estadual preocupante. De acordo com o mais recente boletim epidemiológico sobre HIV/Aids, o Rio Grande do Norte acumulou 18.664 pessoas vivendo com HIV ou aids entre 1980 e setembro de 2025. Somente nos últimos anos, o estado tem registrado entre 800 e 1.200 novos casos anuais, com 1.229 registros em 2024.

O RN se destaca ainda por dois indicadores negativos na comparação nacional:

Foi o estado com o maior aumento proporcional de casos de infecção pelo HIV entre 2020 e 2024, com alta de 56,3% — enquanto o Rio Grande do Sul foi o único estado a registrar queda no período.
Registrou aumento de 37,5% na taxa de mortalidade por aids entre 2014 e 2024, na contramão do país, que teve redução de 37% no mesmo intervalo. Apenas quatro estados brasileiros pioraram nesse indicador, e o RN lidera essa lista.
O boletim também chama atenção para o Rio Grande do Norte na notificação de crianças expostas ao HIV: o estado teve 146 crianças expostas notificadas para 120 gestantes com o vírus, uma razão de 121,7% — a terceira maior do país, atrás apenas de Tocantins e Amapá, o que pode indicar falhas de vinculação entre os registros da mãe e do filho no sistema de vigilância.

Panorama nacional
Em todo o Brasil, 1.679.622 pessoas vivem ou já viveram com HIV/Aids desde 1980, com o Sudeste concentrando quase metade dos casos (47,3%). Somente em 2024, o país notificou 39.216 novos casos de infecção pelo HIV, com taxa de detecção de 18,4 por 100 mil habitantes — puxada, sobretudo, pela retomada da testagem nas regiões Norte e Nordeste após a pandemia de Covid-19. A população negra passou a concentrar 59,7% das notificações em 2024, ante 49% de casos entre pessoas brancas até 2014, uma inversão que reflete tanto o perfil de acesso ao diagnóstico quanto os determinantes sociais da epidemia.

O que a Prefeitura de Natal tem feito
A SMS mantém ao longo do ano ações de testagem rápida e distribuição de preservativos em grandes eventos da cidade, como Carnaval e São João — somente no São João de 2025, mais de 32 mil insumos de prevenção foram distribuídos na Arena das Dunas. O município também ampliou, em dezembro de 2025, a dispensação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para novas unidades de saúde. A PrEP e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição, iniciada em até 72 horas após o risco de contágio) são oferecidas gratuitamente pelo SUS.

Em nível nacional, a Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal antirretroviral usado no tratamento do HIV no país e hoje utilizado por mais de 770 mil pessoas vivendo com o vírus no Brasil — um passo que deve reforçar o abastecimento do medicamento distribuído gratuitamente pelo SUS, inclusive em Natal.