Cuba, que manteve as taxas de transmissão de coronavírus bem baixas no ano passado, tem agora a maior taxa de infecção per capita das Américas. Com 11,2 milhões de habitantes, o país registrou 4 mil casos confirmados por milhão de pessoas na semana passada, nove vezes a média mundial e mais do que qualquer outro país da região. O aumento acontece em um momento de tensão social, após os protestos contra o governo e a crise socioeconômica que levaram milhares de pessoas às ruas em quase todas as províncias da ilha em 11 de julho.

O surto, impulsionado pela chegada da nova variante Delta, mais contagiosa, levou à sobrecarga de hospitais na província de Matanzas, no Oeste do país, epicentro da crise sanitária.  Um dos estopins para as manifestações, cuja organização pelas redes sociais foi crucial, foi a hashtag #SOS Matanzas, com o qual cubanos denunciavam a escassez de insumos, medicamentos e até profissionais de saúde nessa região.

Nos últimos dias, a própria mídia estatal tem mostrado imagens incomuns de pacientes em leitos em corredores e médicos reclamando de falta de oxigênio, respiradores e medicamentos.

No início da pandemia, Cuba fechou as fronteiras, tornou as máscaras obrigatórias em espaços públicos, enviou pessoas que tiveram contato com infectados a centros de isolamento e mobilizou seu setor de biotecnologia para explorar tratamentos experimentais e vacinas.

No entanto, a Covid-19 interrompeu o turismo e levou a uma queda de 11% do PIB em 2020. A crise econômica forçou a abertura das fronteiras no final do ano passado, principalmente para países com altas taxas de infecção, como os Estados Unidos, onde vive a maior diáspora cubana.

Com informações de O Globo