Decisão expõe fraude nas Americanas: “Vocês vão ser presos”

30 de julho 2026 - 15h23
Créditos: Igo Estrela/Metrópoles

Sete dias antes de a Americanas revelar ao mercado o rombo contábil bilionário que desencadeou um dos maiores escândalos corporativos do país, uma reunião interna teria mudado os rumos da empresa.

Segundo decisão da Justiça Federal, o então diretor financeiro André Covre, recém-empossado, teria sido apresentado às irregularidades e reagido: “Isso é fraude”. Na sequência, teria advertido os presentes: “Vocês vão ser processados e presos”.

O episódio ocorreu no início de janeiro de 2023, poucos dias após Covre assumir o cargo. De acordo com a investigação da Polícia Federal, ele não teria conhecimento prévio das manipulações contábeis e só teria descoberto a situação durante a reunião com integrantes da antiga diretoria.

Em 11 de janeiro, a Americanas comunicou ao mercado as chamadas “inconsistências contábeis”. As investigações apontam que mecanismos contábeis teriam ocultado o real endividamento da companhia e inflado artificialmente seus indicadores financeiros.

Ainda segundo a PF, após a reunião, Covre passou a exigir documentos e informações detalhadas sobre as operações e o endividamento da empresa. No dia seguinte, a Americanas contratou um escritório especializado para prestar assessoria jurídica.

O caso deu origem à Operação Disclosure e a denúncias contra ex-executivos da varejista. A defesa dos acionistas de referência nega que eles soubessem das fraudes e afirma que as investigações demonstram que foram enganados pela antiga diretoria.