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O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), passou a admitir em conversas reservadas a disposição de ser candidato a governador se Tarcísio de Freitas (Republicanos) decidir disputar a Presidência da República, de acordo com duas fontes que conversaram sobre o tema com Derrite. Ele vinha demonstrando resistência a disputar o Palácio dos Bandeirantes porque considera que tem uma eleição bem encaminhada ao Senado.
Procurada, a assessoria de imprensa de Derrite negou que ele tenha admitido a possibilidade de disputar o Palácio dos Bandeirantes. “O foco dele é o Senado”, diz a nota enviada ao Estadão.
Quando Derrite trocou o PL pelo PP em maio, parlamentares bolsonaristas ficaram incomodados porque enxergaram o evento como lançamento de uma pré-candidatura do secretário a governador – a bronca era que isso implicaria que Tarcísio seria candidato a presidente, deixando Bolsonaro em segundo plano.
“A vontade do partido é lançar Derrite a governador, mas isso não depende da gente, depende dele. Com a saída do Eduardo, ele se consolida como senador. É um nome muito forte porque acreditamos que essa eleição será pautada pela segurança pública”, afirmou o presidente do PP de São Paulo, Maurício Neves.
Para ele, é preciso primeiro definir o plano nacional – quem será o candidato a presidente do grupo – para depois resolver o plano estadual. O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), o vice-governador, Felício Ramuth (PSD), o presidente da Alesp, André do Prado (PL), e o secretário de Governo, Gilberto Kassab, também são cotados para substituir Tarcísio.
Segundo Neves, o partido desistiu do plano de antecipar a saída de Derrite do governo para o final do ano – pela lei eleitoral, ele teria que deixar o cargo somente em abril. A ideia era que o secretário reassumisse o mandato como deputado federal para relatar projetos de lei sobre o endurecimento do sistema de justiça criminal.
A decisão ocorreu após um jantar na segunda-feira (22), na casa do advogado Fernando José da Costa, ex-secretário de Justiça no governo João Doria. Chamado por Derrite, o encontro teve as presenças de Tarcísio, do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), do comandante-geral da Polícia Militar, José Augusto Coutinho, do delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, do secretário-adjunto de Segurança Pública, Osvaldo Nico e do próprio Maurício Neves.
Motta indicou que pretende pautar em outubro ou novembro uma série de projetos de lei como limitação das audiências de custódia e o fim da progressão de regime para alguns crimes.
A ideia era que Derrite tivesse papel de destaque nas discussões como deputado, mas, de acordo com o presidente do PP paulista, pesou o fato de que há uma série de entregas previstas para o secretário fazer até o início de 2026, como viaturas e motos e a inauguração de batalhões da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
“Ele não desistiu de deixar o governo para tocar essa discussão na Câmara. Ele acredita que consegue estar como secretário e colaborar com a discussão sobre o tema”, disse a assessoria de Derrite.
“O encontro teve como objetivo discutir ações legislativas efetivas para o enfrentamento do crime organizado, da reincidência criminal e da impunidade no Brasil. Todo o grupo acredita que a redução da insegurança acontecerá a partir do trabalho integrado entre todas as esferas, da sociedade civil ao parlamento”, continua a nota.
Outro objetivo do jantar foi demonstrar apoio e respaldo político do governo Tarcísio e do PP a Hugo Motta, que naquele momento estava sendo criticado tanto pela esquerda como pela direita. O encontro ocorreu um dia depois das manifestações tomarem as ruas do País contra a PEC da Blindagem aprovada pela Câmara dos Deputados e a anistia, que teve a urgência aprovada pelos deputados.
Com informações de Estadão

