Em meio à crise diplomática, Janja defende Lula e diz que governo de Israel é 'genocida'

19 de Fevereiro 2024 - 16h30
Créditos: Ricardo Stuckert/PR

Em meio à crise diplomática, a primeira-dama do Brasil, Rosângela da Silva, mais conhecida como Janja, usou as redes sociais nesta segunda-feira (19) para defender o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A fala se referiu ao governo genocida e não ao povo judeu. Sejamos honestos nas análises", afirmou. A declaração ocorre após o petista ser considerado, por Israel, como 'persona non grata', depois de comparar as ações de defesa israelense no conflito contra o grupo terrorista Hamas ao nazismo. Especialistas consultados pela reportagem apontam que o episódio aumentou a crise entre Brasil e Israel.

"Orgulho do meu marido que, desde o início desse conflito na Faixa de Gaza, tem defendido a paz e principalmente o direito à vida de mulheres e crianças, que são maioria das vítimas. Tenho certeza que se o Presidente Lula tivesse vivenciado o período da Segunda Guerra, ele teria da mesma forma defendido o direito à vida dos judeus. A fala se referiu ao governo genocida e não ao povo judeu. Sejamos honestos nas análises", afirmou Janja.

A declaração ocorre após Lula convocar membros do alto escalão do governo para uma reunião no Palácio da Alvorada. Participaram do encontro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação Social), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), Celso Amorim (Assessor Especial), Marco Aurélio Santana Ribeiro (chefe de gabinete) e Fernando Igreja (cerimonial).

Na Etiópia, Lula deu declarações polêmicas depois da participação na 37ª Cúpula de Chefes de Estado e Governo da União Africana, em Adis Abeba. "O que está acontecendo na Faixa de Gaza, com o povo palestino, não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler decidiu matar os judeus", afirmou o petista.

Após o episódio, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, informou nesta segunda-feira (19) que o presidente é considerado 'persona non grata' no país até que haja uma retratação sobre as declarações feitas pelo chefe brasileiro. "Não perdoaremos e não esqueceremos — em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel. Informei ao presidente Lula que ele é uma personalidade indesejável em Israel até que ele peça desculpas e se retrate de suas palavras", disse o israelense.

Depois da declaração de Lula, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, criticou as declarações do presidente e afirmou que é vergonhosa e grave e disse que o ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, convocaria o embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer, para uma "dura conversa de repreensão".

"Trata-se de banalizar o Holocausto e de tentar prejudicar o povo judeu e o direito de Israel se defender. Comparar Israel ao Holocausto nazista e a Hitler é cruzar uma linha vermelha. Israel luta pela sua defesa e pela garantia do seu futuro até à vitória completa e fará isso ao mesmo tempo, em que defende o direito internacional", declarou nas redes sociais.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, foi às redes sociais para dizer que condena veementemente a declaração. Herzog disse que há uma "distorção imoral da história" e apela "a todos os líderes mundiais para que se juntem a mim na condenação inequívoca de tais ações".

Entidades e organizações também criticaram a declaração de Lula. A Conib (Confederação Israelita do Brasil) repudiou a fala. A instituição classificou a afirmação como "distorção perversa da realidade que ofende a memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes".

"Os nazistas exterminaram 6 milhões de judeus indefesos na Europa somente por serem judeus. Já Israel está se defendendo de um grupo terrorista que invadiu o país, matou mais de mil pessoas, promoveu estupros em massa, queimou pessoas vivas e defende em sua Carta de fundação a eliminação do Estado judeu", diz a Conib.

Especialistas consultados pela reportagem apontam que o gesto de classificar Lula como 'persona non grata' é uma reação israelense à declaração do petista, que comparou ações israelenses ao extermínio de judeus, mostra a gravidade da crise entre os dois países, além de ser uma reprimenda para eventuais manifestações de líderes mundiais. Técnicos do assunto avaliam que, por enquanto, a tensão não deve se estender aos acordos comerciais e econômicos.

"A declaração de Lula é absolutamente equivocada nos planos histórico, diplomático e político. Não há equiparação possível ao Holocausto, que foi organizado por um Estado contra uma determinada população. Foi um massacre. Não há precedentes na história", avalia o diplomata e diretor de Relações Internacionais do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal Paulo Roberto de Almeida.

O advogado especialista em direito internacional Bernardo Pablo Sukiennik argumenta que a classificação do brasileiro como 'persona non grata', como reação israelense, amplifica a crise gerada pelo petista. "Isso quer dizer que essa pessoa, no caso o Lula, não é mais bem-vinda em Israel. Não há previsão de visita ao Estado, mas com essa nomenclatura estão deixando claro que, enquanto o governo for liderado por Isaac Herzog e Benjamin Netanyahu, ele não é bem-vindo lá".

Com informações do R7

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