Um depoimento bombástico feito pela empregada de Tom Veiga, o ator que interpretava o Louro José, revela fatos, até então desconhecidos, sobre o relacionamento conturbado do artista com a ex-esposa Cybelle Hermínio Costa. A coluna Léo Dias teve acesso, com exclusividade, à íntegra do relato da funcionária, que inclui ciúmes, agressões físicas, verbais e o medo que Tom Veiga tinha de morrer.

Josenilde de Cássia Santos Silva trabalhou na casa do ator por um ano e meio. O depoimento dela foi registrado no 15º Serviço Notarial da Barra da Tijuca, no dia 4 de dezembro de 2020, 33 dias após Tom ser achado morto. Josenilde estava acompanhada do advogado Gustavo Santos de Almeida, que representa os filhos do artista na ação em que pedem a anulação do testamento do pai.

Conforme revelou a coluna Léo Dias nesta terça-feira (6/4), a família do intérprete de Louro José pensa em mandar exumar o corpo, pois suspeitam que o verdadeiro motivo de sua morte seria envenenamento, segundo pessoas próximas a Tom Veiga.

A empregada disse, ao cartório, que tinha relação de muito carinho e admiração com o patrão. Segundo ela, Tom a via como uma pessoa “de grande confiança, inclusive confidenciando assuntos de sua vida pessoal”. De acordo com o depoimento de Josenilde, Cybelle era uma pessoa “muito ciumenta” e essa característica era um motivo para brigas constantes dentro da residência do casal.

Josenilde revelou uma situação de desentendimento que teria presenciado em 4 de setembro de 2020. A funcionária disse que Tom Veiga lhe contou sobre uma “surra” que teria levado de Cybelle naquele dia. Conforme a descrição da empregada, o patrão detalhou que Cybelle o agrediu fisicamente e partiu para cima dele com uma garrafa de vinho quebrada, momento em que ele teve medo de morrer e decidiu fugir de casa, vestido apenas com um short e sem documentos.

Veja trecho do depoimento da empregada: “Neilton [nome real de Tom Veiga] e Cybelle discutiram, o que fez Neilton se recolher para o quarto por volta das 14h, enquanto Cybelle se manteve no andar debaixo da casa. Por volta das 18h, Neilton desceu de seu quarto e foi para a varanda da casa, onde ficou mexendo no aparelho celular e tomando vinho. Cybelle foi até Neilton para retomar a discussão. Neilton se recusou a conversar com Cybelle e se manteve sentado, tomando vinho e mexendo em seu aparelho celular. Cybelle, então, aumentou o tom de voz e começou a provocá-lo, mas sem que ele reagisse, retornou para a sala e lá ficou. Por volta das 19h30, [a empregada] deixou a casa de seu patrão, pois havia ficado além de seu horário habitual, porque estava aguardando um vizinho que lhe faria uma doação de cestas básicas. Ficou preocupada em deixar a casa de seu patrão com aquele clima pesado, mas entendeu que a briga do casal não passaria das discussões. Ao retornar para trabalhar na terça-feira, dia 8 de setembro de 2020, não encontrou o carro de seu patrão na porta de casa e estranhou. Ingressou na casa e encontrou Cybelle. Ao indagar Cybelle, perguntando sobre seu patrão como de costume, Cybelle disse: ‘Só esperei você sair. Dei muito nele. Dei até ele não aguentar mais.”

A empregada segue dizendo que ficou assustada com a fala de Cybelle e preocupada com Tom. Conforme o relato registrado em cartório, Josenilde perguntou à patroa se o artista a agrediu, mas Cybelle teria negado. Logo depois, teve contato com Tom, que teria lhe revelado a “surra” que levou da então esposa. Leia:

 

“Recebeu, na sequência da sua chegada, uma mensagem de Neilton dizendo que precisava falar com ela quando ela estivesse fora da casa, voltando do trabalho. Assim ela fez e, ao sair do trabalho, ligou para Neilton. Neilton então contou tudo o que aconteceu no dia 4 de setembro. Relatou a ela, com detalhes, a surra que levou e que teve que fugir de casa temendo pela sua vida. Neilton disse a ela que Cybelle só esperou ela sair para agredi-lo verbalmente e fisicamente. Como ele não reagiu às agressões físicas, ela tomou dele a taça de vinho e tacou na parede. Neilton disse que ela ainda teria outras 11 taças para quebrar e que ele não reagiria. Ele, então, entrou em casa e ela foi atrás, batendo nele com toda a vontade. Ele caiu no sofá e ela seguiu batendo nele e dizendo: ‘Reage seu cuzão, reage’. A todo tempo ela dizia que faria ele reagir para então acabar com a carreira dele. Ela também dizia para ligar para o advogado, pois ela queria o divórcio. Ele conseguiu se desvencilhar e retornou para a varanda, quando ela, então, pegou a garrafa de vinho e bateu contra o braço dele. Ele disse a Josenilde que seguiria apanhando sem reagir, pois sabia que ela queria levar o assunto para a mídia. Na sequência, ela quebrou a garrafa de vinho e partiu na direção dele com a garrafa quebrada, foi aí que ele percebeu que sua vida estava em risco, pois, ao ver que ele realmente não reagiria, Cybelle partiu para matá-lo. Por isso, ele correu pelo jardim, pegou o controle da garagem e fugiu descalço, apenas com o short que vestia, sem documentos, sem dinheiro e sem celular. Ele realmente teve medo de morrer e, depois de ter sido socorrido por amigos próximos, foi para um hotel, onde ficaria até que Cybelle saísse da casa para nunca mais voltar”, descreveu a funcionária.

Josenilde disse que Cybelle deixou a casa uma semana depois da briga, em setembro, e Tom pediu para que a empregada chamasse um chaveiro para trocar todas as fechaduras da residência. Ele teria tomado medidas para evitar o retorno da mulher, incluindo a comunicação ao condomínio de que Cybelle não estava mais autorizada a entrar no local onde ele morava.

Depois do episódio sombrio relatado pela empregada, Josenilde contou que via o patrão inseguro e, frequentemente, Tom a pedia para que dormisse na casa porque tinha receio de ficar sozinho. O ator instalou câmeras por toda a residência com medo de Cybelle aparecer novamente.

Segundo a empregada, todas as vezes que conversava com Tom sobre o que ocorreu no dia 4 de setembro de 2020, ele dizia repetidamente: “Ela [Cybelle] tentou me matar. Ela tentou me matar. Ela ficou um monstro e, eu, uma formiguinha. Se eu não saísse, ela ia acabar com a minha vida. Do jeito que ela estava descontrolada, a vontade dela era acabar com a minha vida”.

Josenilde termina seu depoimento afirmando que Tom passou a viver à base de calmantes e “sempre dizia que estava com maus pressentimentos”.

Fonte: Metrópoles