“Além de queda, coice”. É com esse “ditado” popular que alguns empresários, entre pequenos, médios e grandes do setor da construção civil estão definindo a atual situação que vivem no Rio Grande do Norte. Responsáveis por um dos maiores incrementos do desenvolvimento econômico do Estado, empregadores de milhares de trabalhadores e gerando considerável parcela da economia, as empresas do mercado da construção civil estão a um passo da gradual, porém maciça, desestruturação do seu funcionamento.

Segundo os empresários, isso se dá porque junto aos reflexos da pandemia da Covid-19 as empresas estão sendo obrigadas a arcar com prejuízos incalculáveis, com a paralização de suas obras, demissão de colaboradores e, os que insistem em empreender, estão sendo punidos com multas, principalmente por parte de órgãos de gestões municipais “insensíveis e irresponsáveis, que usam as normas que impõem o isolamento social, devido ao aumento dos casos de coronavírus no Estado, para inviabilizar o setor produtivo e a abertura dos estandes de vendas e lançamentos de novos empreendimentos imobiliários”.

As empresas do setor, tais quais outros ramos da atividade empresarial, como o turismo, demonstram que estão chegando ao seu limite “pois empreender, gerar empregos e riquezas para a região, no atual momento da pandemia e ainda ter que enfrentar políticas públicas equivocadas que só penalizam as empresas é motivo de grande estresse”.

“As empresas estão morrendo, e nós empresários, vamos seguir o mesmo caminho, se não houver uma tomada de posição visando tirar nossos empreendimentos do buraco, hoje muitos sem possibilidade de salvação”. Desabafa Thiago Santos, empresário do ramo.

Em Natal, segundo Ana Adalgisa, diretora executiva, do Sindicato da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN), as obras que já estão contratadas há algum tempo seguem em funcionamento, porém lento, já que é considerado como serviço essencial (seguindo os protocolos de segurança), mas, mesmo assim, sem expectativa de que as vendas cresçam, até que a população seja vacinada, para que a economia volte a girar, retomando o crescimento do setor imobiliário, não só no RN, mas no Brasil.

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em janeiro e fevereiro, antes da pandemia, o setor da construção civil no Rio Grande do Norte, foi o que mais gerou postos de trabalho, com mais de 1.800 empregos diretos. E a cada ano, o saldo era sempre positivo em relação às contratações.

De acordo com o INCC/ FGV, materiais e equipamentos, nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro de 2021 contabilizam alta de 25,05%, que corresponde a maior alta registrada desde julho de 2003, 25,34%.

Sob esse e outros aspectos trazidos à cena pela reportagem, os empresários Marcos Dantas e Lucas Tigre, Diretores do Grupo Hospedar, empresa fundada em 2014 e considerada uma das maiores empresas de multipropriedade do estado, responsáveis por grandes lançamentos turístico-imobiliários, com hotéis e resorts no Rio Grande do Norte e em outras partes do Brasil, falam sobre a fase pela qual vivem os empresários do setor.

“Nós geramos algumas centenas de empregos diretos e indiretos em nossos negócios”. E arremata, “Setores que acreditamos, sejam os mais prejudicados pela política de isolamento causada pelos governos estadual e municipais no nosso Estado. Em função disso, fomos obrigados a paralisar obras, suspender contratos com empresas parceiras, demitir funcionários, afastar colaboradores. Uma retração sem precedentes em nossos negócios”. “Retomamos nossas operações comerciais com força total, mas alguns setores de nossa empresa, continuam sendo impedidos de trabalhar, prejudicando diretamente os nossos clientes”. “Até quando vamos ser penalizados por trabalhar em defesa do Rio Grande do norte?” Indagam. Só os governos estaduais e municipais do Estado podem responder.