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O irmão de Ritchie Glaycon Rodrigues Viana, de 27 anos, afirmou ter alertado a mãe sobre o comportamento do investigado antes do crime que chocou Belo Horizonte. “Eu falei com ela para tomar atitude, senão ele ia matá-la”, declarou aos peritos responsáveis pelo exame de sanidade mental.
O depoimento faz parte do laudo que concluiu que Ritchie estava em um quadro psicótico no momento em que matou e decapitou a própria mãe, Jussara Maria Rodrigues.
Segundo o irmão, o comportamento de Ritchie mudou completamente após ele retornar de Portugal, onde viveu por cerca de seis anos. Ele relatou que o investigado parecia "em outro mundo", recusava tratamento médico e se tornou agressivo, principalmente após discussões envolvendo dinheiro.
Ainda de acordo com o relato, Ritchie dizia que Jussara "não era sua mãe, apenas a genitora", já havia agredido a vítima fisicamente e chegou a queimar a Bíblia dela durante uma discussão, afirmando: "Quero ver o seu Deus te salvar". Apesar dos episódios, a mãe acreditava que o filho estava doente e que conseguiria ajudá-lo.
O exame de sanidade mental apontou que Ritchie sofre de um quadro psicótico (CID-10 F29), sem relação com uso de álcool ou drogas, e que, no momento do crime, não tinha capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos.
Durante a audiência de custódia, o investigado fez declarações consideradas compatíveis com o quadro psiquiátrico. Ele afirmou que via a mãe como "um robô mal programado" e disse que matou a vítima para "salvar a mim e a minha geração". Também afirmou que cantava enquanto era levado à delegacia porque tinha "talento para arte, gastronomia e música".
O crime ocorreu em 22 de junho, no bairro Cachoeirinha, em Belo Horizonte. Familiares acionaram a Polícia Militar após perderem contato com Jussara. Os policiais arrombaram a porta do apartamento e encontraram a vítima morta, decapitada e com diversas perfurações de faca. Ritchie foi preso em flagrante no local após confessar o assassinato.
A motivação do homicídio segue sendo investigada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).


