Estudo: brinquedos do Brasil têm altos níveis de substâncias tóxicas

04 de Outubro 2025 - 14h10
Créditos: Lourdes Balduque/Getty Images

Pesquisadores da USP e da Unifal (MG) identificaram níveis preocupantes de metais tóxicos em 70 brinquedos vendidos no Brasil, incluindo produtos nacionais e importados. O estudo, publicado em agosto na revista Exposure and Health, é o mais abrangente já feito no país sobre o tema.

Quase metade das amostras (44,3%) apresentou bário até 15 vezes acima do limite permitido, o que pode causar arritmias cardíacas e paralisias. Também foram detectados níveis elevados de chumbo (32% acima do permitido), associado a problemas neurológicos e queda do Q.I., além de crômio (24,3%), ligado ao câncer, e antimônio (20%), que pode provocar danos gastrointestinais.

No total, foram encontradas 21 substâncias tóxicas, entre elas mercúrio, níquel, urânio e cádmio. A maioria dos brinquedos não atendia às normas do Inmetro e da União Europeia.

Para os testes, os pesquisadores usaram técnicas que simulam contato com saliva e suco gástrico, confirmando que mesmo pequenas liberações são preocupantes diante das altas concentrações totais. Brinquedos na cor bege apresentaram mais metais, sugerindo relação com tintas usadas na fabricação.

O estudo alerta para falhas na fiscalização e recomenda medidas mais rígidas, como análises laboratoriais frequentes, rastreabilidade e certificações mais exigentes, especialmente para produtos importados.

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