EUA teria descoberto arma secreta que danifica cérebro por micro-ondas

10 de Março 2026 - 16h07
Créditos: Kayla Bartkowski/Getty Images

Uma reportagem do programa 60 Minutes, da emissora CBS, revelou que os Estados Unidos teriam adquirido uma suposta arma secreta de micro-ondas capaz de provocar danos cerebrais. A investigação jornalística durou cerca de nove anos.

Segundo a reportagem, desde 2016 diplomatas, agentes de inteligência e militares norte-americanos relataram sintomas graves após serem atingidos por uma força invisível que afetaria visão, audição, equilíbrio e cognição. Casos teriam sido registrados até na sede da CIA, na Virgínia, e nos jardins da Casa Branca.

“Síndrome de Havana”

Os episódios ficaram conhecidos como Síndrome de Havana, nome dado porque os primeiros casos foram registrados em Havana.

Entre os relatos citados está o de um tenente-coronel aposentado identificado apenas como Chris. Ele afirmou ter sofrido cinco episódios em cinco meses, inclusive dentro de casa, próximos a Washington. Segundo ele, os ataques provocaram dores intensas, desorientação e até convulsões.

Durante anos, o governo norte-americano reconheceu os sintomas, mas questionou as causas. Investigações iniciais chegaram a sugerir fatores ambientais ou até histeria coletiva.

Investigação científica

O médico David Relman, da Universidade Stanford, liderou uma análise científica sobre os casos. Para ele, a explicação mais plausível seria a exposição a energia de radiofrequência ou micro-ondas direcionadas.

Relman também apontou que pesquisas semelhantes teriam sido desenvolvidas durante a época da Guerra Fria, especialmente pela antiga União Soviética.

Suposta arma portátil

Fontes ouvidas pelo 60 Minutes afirmaram que agentes infiltrados do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos teriam comprado um dispositivo semelhante em 2024 por cerca de US$ 15 milhões, com recursos do Pentágono.

De acordo com a reportagem, o equipamento seria:

pequeno e portátil

silencioso

programável para diferentes cenários

capaz de atingir alvos a centenas de metros, atravessando janelas e paredes

Componentes essenciais do dispositivo, segundo as fontes, seriam fabricados na Rússia.

Testes conduzidos em laboratório militar norte-americano teriam durado mais de um ano e causado em animais lesões semelhantes às registradas em humanos.

O Departamento de Defesa se recusou a comentar as denúncias. Já o gabinete do Diretor de Inteligência Nacional informou que uma nova revisão sobre os chamados “incidentes anômalos de saúde” será realizada para tentar esclarecer definitivamente o caso.