A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) apresentou fichas de filiação falsas de uma criança de 9 anos e de pessoas mortas há pelo menos 20 anos ao INSS. A descoberta integra o relatório enviado à CPMI do INSS, que embasou a abertura de um processo administrativo de responsabilização contra a entidade.
Segundo a CGU, os documentos falsos foram utilizados para incluir descontos em benefícios previdenciários. A análise revelou que algumas autorizações tinham datas posteriores ao falecimento dos supostos signatários, e os e-mails dos cadastros seguiam um “padrão semelhante”, com abreviações e datas de nascimento, evidenciando a fabricação pelo próprio órgão.
Desde 2019, a Conafer arrecadou cerca de R$ 688 milhões em descontos de trabalhadores rurais e indígenas inativos. Procurada, a entidade afirmou que não filia pessoas físicas, apenas CNPJs, e que iniciou sindicância interna em todas as entidades filiadas.
A CGU classificou a situação como absurda e destacou que os indícios apontam para conduta reiterada, e não apenas irregularidades pontuais.


