"Garantia e preço top": Facções usam grupos de WhatsApp para negociar armas, drogas e veículos roubados

02 de Agosto 2026 - 11h43
Créditos: Breno Esaki/Metrópoles

Grupos de WhatsApp usados para negociar móveis e objetos usados passaram a ser utilizados por integrantes de facções criminosas do Rio de Janeiro, como Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), para comercializar armas, drogas, veículos roubados e outros produtos ilícitos.

Segundo informações obtidas pela coluna Na Mira, criminosos anunciam armamentos de alto poder de fogo com fotos, vídeos, especificações e preços. Entre os anúncios estão um fuzil Parafal por R$ 165 mil, um AR-10 por R$ 80 mil e uma pistola Taurus por R$ 15 mil.

As negociações seguem um modelo semelhante ao de plataformas de comércio eletrônico. Os vendedores divulgam os produtos e combinam diretamente pelo aplicativo valores, pagamento e logística de entrega.

Além das armas, os grupos também são usados para anunciar celulares roubados, motocicletas, carros furtados, drogas e outros produtos de origem criminosa. O acesso costuma ocorrer por convite ou indicação, formando uma espécie de mercado clandestino fechado.

Um dos armamentos identificados é um fuzil Taurus T4, que já havia aparecido em imagens de uma demonstração sobre o uso de drones realizada por traficantes do Complexo da Penha.

Segundo as informações obtidas durante as apurações, a arma seria ligada a um traficante conhecido como Pedro Bala, apontado como responsável pelo tráfico nas comunidades da Vila Kosmos e do Juramento, sob influência da facção que domina parte do Complexo da Penha.

As conversas analisadas indicam que a venda ilegal de armas passou a utilizar uma rede digital, ampliando a circulação dos armamentos entre criminosos de diferentes comunidades e organizações. Em alguns casos, os vendedores exibem vídeos detalhados, acessórios e carregadores para apresentar o produto aos interessados e negociar sem encontros presenciais.