A Globo e o Google anunciaram nesta quarta-feira (7) uma parceria inédita que permitirá à emissora acessar tecnologias da gigante da internet e, assim, poderá mudar a maneira de produção e consumo da TV aberta e streaming.

A Globo vai utilizar os serviços de armazenamento em nuvem e compartilhar competências do Google em inteligência artificial e machine learning para modernizar suas operações. Com a novidade, a emissora espera alcançar novos recordes de votações no reality show Big Brother Brasil.

As empresas definiram a parceria como um acordo de "coinovação tecnológica", em que ambas trabalharão juntas para buscar soluções inéditas no mercado. O Google já tem parcerias comoessa com empresas de diversos segmentos, mas nenhuma com emissora de televisão.

"A Globo foi a empresa de mídia global que a gente escolheu para esse desenvolvimento", o head do Google Cloud no Brasil, Marco Bravo. "É uma parceria para impactar a indústria de mídia em nível global", completou o presidente do Google Cloud na América Latina, Eduardo Lopez.

O acordo com o Google está previsto para durar 7 anos e se insere na ambição da Globo de se tornar uma empresa "media tech" para poder competir, no país, com gigantes mundiais como Netflix, Disney e Amazon.

A Globo vai migrar para os servidores do Google os dados que mantém em datacenter próprio, no Rio de Janeiro, durante os próximos 2 anos. A ideia é que todo o acervo de programas e novelas, hoje 70% digitalizado, seja totalmente armazenado em nuvem, reduzindo custos.

"A nuvem permite elasticidade [no consumo de servidores]. Você pode provisionar recursos de acordo com o tamanho de sua demanda", afirmou o diretor de Estratégia e Tecnologia da emissora, Raymundo Barros. Com o acordo, a Globo não terá mais problemas para suportar grandes votações online ou altos picos de acessos no Globoplay, como as que aconteceram recentemente com BBB21.

A nuvem também vai ser usada para transmissões ao vivo e gravações. Jogos de futebol poderãoser gerados através da estrutura do Google. "Aqueles grandes caminhões que a gente costuma levar para os estádios vão ficar obsoletos. Vamos precisar apenas de uma van com um datacenter que conecta câmeras e microfones. E os técnicos, diretores e apresentadores poderão estar trabalhando em suas próprias casas", exemplificou Barros.

Novelas também poderão ter cenas enviadas diretamente da câmera para a nuvem, para que editores as finalizem de casa. No momento, por conta da pandemia de covid-19, 600 profissionais de pós-produção já trabalham de forma remota por meio da nuvem. Com o Google, isso ficará mais barato e rápido.

A parceria vai proporcionar à Globo uma vantagem competitiva, pois o aplicativo Globoplay passará a ser nativo das TVs com sistema operacional Android, que será tropicalizado.

Assim, nas televisões Android feitas no Brasil, haverá uma tecla de acesso direto ao Globoplay no controle remoto e será possível sair da TV aberta para o streaming de "uma maneira muito suave e fluida".

"Nenhum player de streaming consegue hoje fazer essa ponte entre a TV aberta e o streaming", afirmou Marco Bravo.

De acordo com Raymundo Barros, usando as aplicações de inteligência artificial e machine learning do Google, o Globoplay ficará mais personalizado. "Cada usuário terá um Globoplay diferente, muito aderente ao que gosta de assistir", explicou.

A parceria envolve também a área de publicidade. Com a integração entre TV aberta e internet, a Globo quer fazer a entrega de mídia programática, ou seja, levar a cada telespectador um anúncio diferente, conforme seu perfil e comportamento de consumo. 

Fonte: Notícias da TV