A pandemia de Covid-19 com um novo surto de H3N2, um subtipo do vírus Influenza A, tem gerado preocupação em todo o país. A identificação dos casos é difícil porque são duas doenças respiratórias com sintomas semelhantes.

No Rio Grande do Norte, foi identificada uma paciente que testou positivo para coronavírus SARS-CoV-2 e Influenza A. A mulher com os dois vírus tem 28 anos e mora no município de Governador Dix-Sept rosado, na região Oeste potiguar.

A combinação dos vírus é chamada de “Flurona”, uma designação a partir dos termos “flu” (gripe, em inglês) e “rona” (de coronavírus). As duas doenças afetam o sistema respiratório.

Os casos de Flurona foram detectados pela primeira vez nos Estados Unidos, durante o primeiro ano da pandemia de covid-19, de acordo com a Agência Brasil. “Esses casos de pacientes com dupla infecção viral não são novidades. Há pouco tempo pacientes tinham variante Delta e P1”, explicou a infectologista Ana Helena Germoglio.

Segundo a médica, no exame, são encontrados materiais genéticos dos dois vírus. Não significa que os vírus vão causar doenças, eles podem estar apenas colonizando. “Estar com o material genético presente não significa que a pessoa está doente”, disse a especialista.

A infectologista explicou que os efeitos das duas doenças são semelhantes, com casos assintomáticos à insuficiência respiratória. “As pessoas devem fazer a testagem ao sentir febre, dor no corpo e coriza. O tratamento deve ser feito após os testes. Não é possível fazer o diagnóstico baseado apenas nos sintomas relatados, alerta Germoglio.

A médica orienta que a forma de prevenção é a mesma para as duas doenças, com vacinas, uso de máscaras e evitar compartilhar copos e talheres.

A infectologista Maura Salaroli, do Hospital Sírio-Libanês, alerta que os sintomas de influenza/gripe são mais intensos nas primeiras 48/72 horas de doença, já na Covid, os sintomas ficam mais intensos após o quinto dia de infecção.

Para o médico Roberto Debski, os casos de Flurona devem aumentar no Brasil. “Precisamos estar preparados acompanhando e medicando as pessoas. Os casos de Covid não têm sido graves, mas ainda há uma grande quantidade de pessoas com a doença”.

O Instituto Butantan ajuda a diferenciar os sintomas da gripe e da infecção pelo novo coronavírus:

Sintomas da gripe

Os sintomas clássicos da gripe sazonal são febre súbita, tosse (geralmente seca), dor de cabeça, dores musculares e articulares, mal-estar, dor de garganta e coriza. A tosse pode ser forte e durar duas ou mais semanas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No caso do H3N2, os sintomas são os mesmos, com o potencial de causar casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em idosos e imunocomprometidos.

“O problema deste ano é que estávamos há dois anos usando máscara e ela protege tanto contra a influenza quanto contra o SARS-CoV-2, já que ela inibe o contato com vírus respiratórios”, diz Astray, lembrando que muitas medidas restritivas, como o uso de máscara, foram relaxadas com a vacinação da população.

Sintomas da Covid-19

No início da pandemia, a OMS divulgou que os infectados apresentavam sintomas como febre, tosse seca, cansaço e perda do paladar ou do olfato. Após o surgimento das variantes, os sintomas clássicos sofreram mudanças.

À medida que a variante delta se espalhava pelo planeta, os sintomas mais comuns da doença passaram a ser febre, tosse persistente, coriza, espirros e dor de cabeça e garganta. Características semelhantes à gripe sazonal. A perda de paladar e de olfato deixou de ser relatada.

Já as infecções pela variante Ômicron, descoberta na África do sul em novembro, demonstraram outro padrão sintomático, segundo a médica Angelique Coetzee, presidente da Associação Médica da África do Sul. Segundo a médica, pacientes infectados pela Ômicron apresentavam sintomas como dores pelo corpo, dor de cabeça, dor de garganta e, sobretudo, um cansaço extremo que ela não via nos que contraíram a delta.

Com informações da IstoÉ