O diretor regional do SENAI-RN e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Rodrigo Mello, participou nesta terça-feira (07) da 9ª conferência UK & Brazil Partners in Energy – Powering Net Zero, promovida pelo Governo Britânico em parceria com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), no Rio de Janeiro.

A conferência é realizada anualmente e tem o objetivo de fortalecer a parceria entre o Reino Unido e o Brasil no setor de energia, reunindo as principais empresas e órgãos governamentais britânicos e brasileiros para discussões sobre o futuro da atividade, incluindo desafios, oportunidades, novas tecnologias e soluções em áreas de interesse comum.

Como a energia eólica offshore pode promover o desenvolvimento econômico no Brasil e o potencial de mercado que existe para o hidrogênio estiveram entre as questões centrais discutidas no evento.

Offshore

O hidrogênio produzido com o uso de energias renováveis poderia, segundo Rodrigo Mello, armazenar a energia que o país produzirá em futuros parques eólicos offshore (no mar), possibilitando a exportação do insumo para outros países.

“Essas são cadeias produtivas que mudam a estrutura produtiva, que trazem perspectiva de incluir o Brasil no rol de países que trabalham tecnologia de ponta ao invés de simplesmente trabalhar recursos como commodities. São cadeias que ampliam a balança comercial e que deverão gerar muitos empregos com remunerações acima da média”, diz ele.

“Estamos diversificando a nossa estrutura produtiva dentro de uma linha limpa, com uma grande contribuição para a descarbonização (para a redução de emissões de carbono na atmosfera), e de forma absolutamente estratégica, do ponto de vista industrial e de qualidade de vida das pessoas do mundo todo. Então se há um produto que nós podemos caracterizar que contribuirá com o crescimento do país, a partir de um característico desenvolvimento sustentável, certamente esse produto será a energia eólica offshore”, ressalta o diretor.

As discussões travadas durante a Conferência e a interação entre agentes que compõem a atividade, disse ele, são consideradas estratégicas, “porque o assunto desenvolvimento de cadeia produtiva ou de qualquer que seja a atividade não se faz de forma competente se se estiver isolado”.

“O desenvolvimento de tecnologia passa por discussão de opinião, de rumos, de rotas. Então se o assunto tecnologia e ciência se faz de forma conjunta e com complementaridade, para essa atividade (de energia) que é internacional isso é mais verdadeiro ainda”, acrescenta.

A participação do ISI-ER no evento está alinhada ao Plano de Internacionalização lançado pela instituição para, entre os objetivos principais, impulsionar o intercâmbio de pesquisadores/as, criar e expandir mercados fora do Brasil.

“Tivemos a oportunidade de estreitar laços durante a Conferência e de fortalecer discussões sobre possibilidades futuras de parcerias e cooperação com o Reino Unido”, observou Rodrigo Mello.

No início de abril, soluções desenvolvidas pelo Instituto foram apresentadas por ele ao Consulado Britânico Recife e à Energy Systems Catapult, organização independente e sem fins lucrativos, parte da rede de centros de tecnologias e inovação estabelecidos pelo Governo do Reino Unido.

A reunião contou com a participação do cônsul britânico para o Recife (PE), Graham Tidey, e a previsão é que tenha como desdobramento a assinatura de um termo de parceria e troca de experiência em Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) entre as partes, com foco no setor de energia.

Referência

Sediado em Natal, no Rio Grande do Norte, o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis é a principal referência do SENAI no Brasil em Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) com foco em energia eólica, solar e sustentabilidade.

A participação na UK & Brazil Partners in Energy – Powering Net Zero ocorreu a convite da ABEEólica – à qual o ISI é associado – e também do Consulado Britânico, em um contexto de aproximação do órgão com as Federações das Indústrias dos estados brasileiros, neste caso específico, com a FIERN, do Rio Grande do Norte, à qual o ISI-ER é vinculado.

“Vemos como reconhecimento do trabalho que estamos fazendo e à contribuição que temos dado ao setor para o desenvolvimento da cadeia de energias renováveis no Brasil”, disse ainda o diretor do SENAI-RN.

O futuro da energia nuclear; Lacunas na cadeia de suprimentos e oportunidades de parceria no setor de petróleo e gás; recuperação energética de resíduos e como o biogás e o biometano podem contribuir para a redução de emissões e transição energética também entraram em pauta na Conferência.