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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu um recado ao americano Donald Trump nesta quarta-feira (17) ao fazer um balanço de sua participação no G7, em Évian-les-Bains, na França. A declaração foi em resposta a uma fala de mais cedo em que Trump dizia que o cenário político brasileiro tinha se tornado "perigoso", em referência à condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro por coação à Justiça na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de terça (16).
O presidente americano, porém, confundiu Eduardo com o irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao se referir ao senador como "Bolsonaro Jr.". Trump dizia ter tomado conhecimento de que Flávio – que, na realidade, era Eduardo – estaria sendo alvo de medidas judiciais. Questionado sobre o assunto em coletiva a jornalistas, Lula disse que se a imagem de Trump sobre o Brasil é baseada na relação com a família Bolsonaro, ele "desconhece" o país.
“Para mim pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque elas são um problema do Brasil, assim como as eleições americanas são um problema deles, não meu. A única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil que eu tenho pelos EUA", disse Lula.
O presidente brasileiro, inclusive, disse que vai levar uma urna eletrônica ao próximo encontro com Trump, cujo país mantém um sistema de votação em cédulas de papel. “Os EUA poderiam aprender com o Brasil de eleições mais tranquilas, leves e menos conturbadas”, sugeriu.
Sem uma reunião bilateral agendada com Trump na cúpula, Lula se limitou a interações protocolares com o presidente americano. Na noite de terça-feira, ambos se cumprimentaram rapidamente após um jantar organizado pelo francês Emmanuel Macron, anfitrião do G7 neste ano. Já na manhã desta quarta-feira, Trump se dirigiu ao presidente brasileiro, perguntou se ele estava bem e lhe desejou “bom trabalho”. Lula respondeu com um meneio de cabeça. O cumprimento foi no corredor do hotel em que estavam hospedados, logo após a última reunião do G7, que discutiu crescimento ecologicamente equilibrado nos países.
Questionado sobre a falta de um encontro formal com o americano às margens da cúpula, Lula avaliou que não havia essa necessidade porque já há um diálogo de alto nível entre os países para negociar os termos das duas rodadas de tarifaço propostas pelo EUA para produtos brasileiros. A sobretaxa foi anunciada pouco tempo após um encontro em clima amistoso com Trump em Washington, o que Lula considerou ter sido uma ação "desaforada".
“Eu não pedi bilateral porque nós estamos em negociação. Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil, ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele continua agindo como imperador. Nós estávamos fazendo acordo", afirmou.
Com informações de SBT News
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