Mártires de Cunhaú e Uruaçu: entenda a história do feriado de 3 de outubro no RN

03 de Outubro 2026 - 16h02
Créditos: Cacilda Medeiros/Arquidiocese de Natal

O dia 3 de outubro é feriado estadual no Rio Grande do Norte em memória dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, grupo de 30 católicos mortos em 1645, durante o período das invasões holandesas no Nordeste. A data foi escolhida em referência ao segundo episódio, ocorrido em Uruaçu, onde atualmente fica o município de São Gonçalo do Amarante.

Os chamados martírios de Cunhaú e Uruaçu aconteceram em um período de conflitos envolvendo portugueses e holandeses no Nordeste. O primeiro episódio ocorreu em 16 de julho de 1645, no povoado de Cunhaú, em Canguaretama, no litoral sul do estado. Fiéis estavam reunidos para uma missa na capela de Nossa Senhora das Candeias quando foram atacados. Entre os mortos estava o padre André de Soveral.

Meses depois, em 3 de outubro, outro grupo de moradores foi levado para Uruaçu, às margens do rio Potengi. O padre Ambrósio Francisco Ferro e o leigo Mateus Moreira estavam entre os mortos. Ao todo, a Igreja Católica reconheceu como mártires 30 pessoas: os dois sacerdotes e 28 leigos mortos nos dois episódios.

Reconhecimento pela Igreja
A história dos mortos em Cunhaú e Uruaçu passou a ser reconhecida oficialmente pela Igreja Católica séculos depois dos acontecimentos. Em 5 de março de 2000, o papa João Paulo II beatificou André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e os 27 companheiros leigos, reconhecendo-os como os Protomártires do Brasil.

Em 15 de outubro de 2017, o papa Francisco canonizou o grupo em cerimônia realizada no Vaticano. A partir de então, os 30 passaram a ser reconhecidos oficialmente como santos pela Igreja Católica.

Por que 3 de outubro é feriado?
A Lei Estadual nº 8.913/2006 estabeleceu o dia 3 de outubro como feriado estadual em homenagem aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu.

A escolha da data está diretamente relacionada ao episódio de Uruaçu, ocorrido em 3 de outubro de 1645. Todos os anos, a data é marcada por celebrações religiosas e peregrinações nos locais relacionados aos martírios, especialmente em Canguaretama e São Gonçalo do Amarante.

Além do significado religioso, os episódios fazem parte da história do Rio Grande do Norte. Os locais associados aos martírios, como a capela de Nossa Senhora das Candeias, em Cunhaú, e o santuário de Uruaçu, são pontos de peregrinação e preservação da memória dos acontecimentos de 1645.

Fonte: g1 RN